sexta-feira, 31 de julho

Sinaceg: Excesso de confiança ao volante aumenta riscos nas rodovias

Motoristas brasileiros estão entre os mais confiantes do mundo ao volante, apesar de o país registrar um dos cenários mais desafiadores para a segurança viária.

A conclusão é de um estudo internacional da Economist Enterprise, realizado com apoio da fabricante italiana Brembo, que identificou uma diferença significativa entre a percepção dos condutores e a avaliação de especialistas em mobilidade.

Para o Sindicato Nacional dos Cegonheiros (Sinaceg), entidade patronal que reúne mais de 5 mil profissionais especializados no transporte de veículos zero quilômetro em todo o país, o levantamento reforça que a evolução tecnológica dos veículos precisa ser acompanhada de uma condução consciente e responsável.

A pesquisa ouviu mais de 6 mil pessoas em dez países e revelou que nove em cada dez motoristas afirmam se sentir seguros ao dirigir.

Entre especialistas em segurança viária, porém, menos da metade compartilha dessa percepção.

O Brasil aparece entre os países onde os condutores demonstram maior confiança, mesmo diante dos elevados índices de acidentes e da complexidade das rodovias.

Segundo o estudo, o principal desafio para a segurança viária deixou de ser apenas a tecnologia embarcada e passou a ser a forma como os motoristas utilizam esses recursos.

O uso inadequado ou a compreensão limitada dos sistemas eletrônicos de assistência à condução (ADAS), aliado às distrações provocadas pelos próprios equipamentos do veículo, figura entre os principais fatores de risco.

Tecnologia exige motoristas ainda mais preparados

Para o presidente do Sinaceg, José Ronaldo Marques da Silva (Boizinho), o avanço tecnológico representa um ganho importante para a segurança, mas exige que os motoristas compreendam os limites desses recursos.

“Quanto mais tecnologia o veículo recebe, maior precisa ser a consciência de quem dirige. Segurança não é apertar um botão e transferir decisões para o carro. Ela continua dependendo da capacidade do motorista de ler o ambiente, antecipar riscos e agir no momento certo. A tecnologia é uma aliada, mas a responsabilidade continua sendo humana.”

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Para o diretor regional do Sinaceg, Márcio Galdino, a realidade das rodovias brasileiras confirma que nenhum recurso tecnológico substitui a experiência acumulada por quem vive diariamente na estrada.

“A cabine mudou muito nos últimos anos, mas a estrada continua imprevisível. O caminhoneiro toma dezenas de decisões ao longo de uma viagem, muitas delas em questão de segundos. A tecnologia apoia essas escolhas, mas não substitui a percepção de quem percorre milhares de quilômetros todos os meses e aprende a identificar riscos antes mesmo de eles acontecerem.”

À medida que os veículos incorporam novos recursos de assistência à condução, o principal desafio deixa de ser apenas desenvolver tecnologias mais avançadas e passa a ser garantir que elas sejam utilizadas de forma correta.

Para o Sinaceg, inovação, capacitação e direção defensiva devem caminhar juntas para transformar os avanços tecnológicos em mais segurança e menos acidentes nas rodovias brasileiras.

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