Apesar do nome, a Lua não fica vermelha ou cor de morango; especialista explica a origem da tradição e a importância da observação astronômica
Todos os anos, um dos eventos astronômicos que mais desperta a curiosidade do público é a chamada Lua de Morango (Strawberry Moon).
O nome curioso leva muitas pessoas a imaginar que o satélite natural da Terra adquire uma coloração avermelhada ou rosada, mas a realidade é diferente.
Segundo o Prof. Dr. José Luis Laporta, coordenador do curso de Bacharelado em Ciências Biológicas do Centro Universitário Fundação Santo André (FSA), a denominação tem origem em tradições culturais e não está relacionada à cor da Lua.
“A Lua de Morango recebe esse nome porque povos indígenas da América do Norte associavam a Lua Cheia de junho ao período de colheita dos morangos silvestres. Trata-se de uma referência ao calendário agrícola e não a uma mudança física da Lua.”
A Lua realmente muda de cor?
Na maior parte das vezes, não.
Durante a Lua Cheia de junho, o satélite apresenta o mesmo aspecto das demais luas cheias. Em algumas ocasiões, quando está próxima ao horizonte, pode parecer mais alaranjada ou avermelhada.
Esse efeito ocorre devido à atmosfera terrestre.
“Quando a Lua está baixa no horizonte, sua luz atravessa uma camada maior da atmosfera. As partículas presentes no ar espalham preferencialmente os comprimentos de onda azul, permitindo que predominem tons mais amarelados ou avermelhados.”
O mesmo fenômeno explica as cores observadas no nascer e no pôr do Sol.
Um espetáculo acessível a todos
Uma das grandes vantagens da Lua de Morango é que sua observação não exige equipamentos especiais.
Em noites de céu limpo, basta olhar para o céu logo após o nascer da Lua para apreciar o fenômeno.
Binóculos ou pequenos telescópios podem enriquecer a experiência, permitindo observar crateras, montanhas e outras formações da superfície lunar.
Por que a Lua Cheia parece maior?
Outro fenômeno frequentemente associado à Lua de Morango é a chamada “ilusão lunar”.
Quando observada próxima ao horizonte, a Lua parece muito maior do que quando está alta no céu.
Segundo o professor, trata-se de uma ilusão óptica produzida pela forma como o cérebro interpreta objetos próximos ao horizonte em comparação com aqueles observados em regiões mais elevadas do céu.
“O tamanho da Lua praticamente não muda durante a noite. O que muda é a nossa percepção visual.”
Ciência e cultura caminham juntas
A Lua de Morango mostra como a Astronomia também está profundamente ligada à história das civilizações.
Diversos povos antigos utilizavam as fases da Lua para organizar:
- colheitas;
- períodos de pesca;
- celebrações religiosas;
- calendários agrícolas;
- navegação.
Outras luas cheias tradicionais também recebem nomes curiosos, como Lua do Lobo, Lua do Castor, Lua do Milho e Lua da Colheita.
Um convite para observar o céu
Para o Prof. Laporta, fenômenos como a Lua de Morango são excelentes oportunidades para despertar o interesse pela ciência.
“Observar o céu é uma das formas mais antigas de produzir conhecimento. Cada fenômeno astronômico desperta perguntas sobre o funcionamento do Universo e aproxima crianças, jovens e adultos da ciência.”
Além da beleza do espetáculo, a observação do céu estimula a curiosidade, o pensamento científico e a compreensão de processos naturais que influenciam a vida na Terra.
A importância da divulgação científica
Embora seja um fenômeno conhecido há séculos, a Lua de Morango continua despertando grande interesse nas redes sociais e nos meios de comunicação.
Segundo o especialista, isso demonstra como a Astronomia mantém seu poder de inspirar pessoas de todas as idades.
“Vivemos em uma época de grandes descobertas espaciais. Eventos como a Lua de Morango nos lembram que a ciência está presente também nas pequenas observações que fazemos do céu todas as noites.”
Muito além de um nome curioso, a Lua de Morango representa um encontro entre ciência, cultura e natureza, reforçando que olhar para o céu continua sendo uma das experiências mais fascinantes que podemos viver.
Fonte: Prof. Dr. José Luis Laporta, Coordenador do curso de Bacharelado em Ciências Biológicas do Centro Universitário Fundação Santo André.
Informações institucionais
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