São Bernardo conquistou os títulos das categorias feminina e masculina do atletismo nas finais dos Jogos Paralímpicos do Estado de São Paulo (Paresp), encerradas neste sábado (26), no Ícaro de Castro Mello, Estádio Olímpico do Ibirapuera.
As disputas reuniram atletas classificados nas quatro etapas regionais realizadas entre abril e julho.
A etapa final do Paresp reúne representantes de 69 municípios paulistas.
Neste domingo (27), a competição chega ao fim com as provas de natação, que serão realizadas na piscina do Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro.
O atletismo movimentou o segundo dia das finais com disputas em diferentes provas e classes.
O Paresp reúne tanto atletas que já participaram de diversas edições quanto competidores que estão tendo a primeira experiência na etapa estadual.
Heitor dos Santos, 42 anos, representante de Praia Grande, já defendeu vários municípios no Paresp. “Já competi por muitas edições e, felizmente, estive no pódio em todas as participações”, recordou.
Na edição de 2026, ele foi vice-campeão na prova dos 200 metros (T53), classe destinada a corredores cadeirantes.
Formado em automação industrial, o atleta praticava taekwondo e trabalhava em uma fábrica.
Após ficar paraplégico em decorrência de um acidente, precisou se afastar das duas atividades e encontrou no atletismo paralímpico uma oportunidade de continuar envolvido com a prática esportiva.
“O esporte me proporcionou inclusão e muitas amizades”, afirmou o corredor.
Já Victor Henrique Martins, 26 anos, disputa o Paresp pela primeira vez, representando Indaiatuba.
Ele nasceu com mielomeningocele, uma má-formação congênita que ocorre quando a estrutura do sistema nervoso central não se fecha adequadamente.
A deficiência física fez com que se tornasse cadeirante, mas não o afastou da prática esportiva.
“Já lutei capoeira, karatê, judô, jiu-jitsu e, com foco no alto rendimento, o basquete em cadeira de rodas e o atletismo”, contou.
Sempre incentivado pela família a praticar esportes, Victor acumula resultados expressivos.
“Juntando o basquete e o atletismo, já tenho entre 40 e 50 medalhas. Meu sonho é representar o Brasil em grandes campeonatos e propiciar condições para minha mãe se aposentar”, projetou o corredor, que conquistou a medalha de ouro nos 200 metros e a de bronze nos 400 metros no Paresp.
Presença da bicampeã paralímpica Beth Gomes
A bicampeã paralímpica no lançamento de disco Beth Gomes, natural de Santos (SP), não competiu nesta edição do Paresp porque se recupera de uma lesão, mas esteve presente para apoiar os demais atletas do município.
“Não tive filhos, mas alguns jovens atletas me chamam de mãe e dizem me ver como referência”, contou.
Beth participa do Paresp desde os anos 2000, quando a competição se chamava Jogos Regionais e Jogos Abertos do Interior, e coleciona medalhas em provas de pista e campo.
“O Estado de São Paulo é uma potência no atletismo paralímpico e, se constituísse um país, ficaria no top 5 de várias competições internacionais”, afirmou.
“O Paresp é um grande ponto de encontro entre diferentes gerações de atletas com deficiência, que propagam o poder de inclusão do paradesporto”, disse Marcos da Costa, secretário de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência.
Os Jogos Paralímpicos do Estado de São Paulo reúnem atletas de diferentes regiões e promovem a participação de pessoas com deficiência em competições esportivas.
Na edição de 2025, São José dos Campos foi campeão na categoria masculina, enquanto Sorocaba venceu na categoria feminina.






