sábado, 9 de maio

Santo André: Hospital da Mulher implanta nova metodologia nas Emergências

Cinco meses após a implantação do projeto Lean nas Emergências, o Hospital da Mulher Maria José dos Santos Stein, de Santo André, apresenta melhora significativa na rotina de atendimentos de seu Pronto-Socorro, com redução de 44,6% no fluxo de pacientes.

Os indicadores (de novembro de 2025 a março de 2026) apontam para outras mudanças concretas que já impactam positivamente na qualidade dos serviços prestados.

“Quem já precisou de atendimento em uma emergência hospitalar sabe bem o quanto o tempo é importante. A espera por uma consulta, a demora para a liberação de um leito, tudo isso impacta na experiência do paciente e no padrão da assistência. É exatamente nesses pontos que o nosso Hospital da Mulher tem trabalhado de maneira mais intensa e organizada desde outubro de 2025, quando passou a integrar o projeto”, resume o diretor técnico do Hospital da Mulher, Dr. Felipe Colbert.

O Lean nas Emergências é uma iniciativa do Ministério da Saúde executada em parceria com hospitais de referência nacional.

O indicador mais simbólico da transformação no Hospital da Mulher andreense após a adesão ao projeto é o NEDOCS – sigla em inglês para Escala de Superlotação do Departamento Nacional de Emergência –, que mede o grau de ocupação de um Pronto-Socorro e os riscos que isso representa aos pacientes.

Em outubro do ano passado, o hospital registrava 94 pontos na escala NEDOCS. Em março deste ano, esse número caiu para 52, uma redução de 44,6%.

“Na prática, isso significa que o setor de emergência está operando com mais controle, mais espaço e mais segurança para todos que precisam de atendimento”, explica Dr. Felipe Colbert.

Outro avanço que chama atenção é o tempo médio de permanência dos pacientes no hospital.

O indicador recuou de 5,1 para 2,3 dias, o que representa uma queda de 54,9% na ocupação dos leitos e melhora direta na capacidade de atender novos casos.

Também houve redução no tempo de liberação de leitos, o chamado tempo de setup, que passou de 95 para 65,5 minutos – queda de 31,1%.

Esse resultado impacta diretamente o fluxo assistencial, já que leitos disponíveis com mais agilidade significam menos espera para quem chega ao Pronto-Socorro.

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Além disso, o tempo entre a entrada do paciente e o primeiro atendimento médico, conhecido como tempo porta-médico, evoluiu.

Eram 66 minutos em outubro; hoje são 56.

“A meta institucional é chegar a 50 minutos. As ações para isso já estão em curso”, adianta a gerente administrativa da unidade hospitalar, Elisabete Tavares.

Segundo a profissional, os fluxos de entrada estão sendo revisados e ajustes vêm sendo feitos nas escalas médicas, conforme a demanda. Dessa forma, há um monitoramento contínuo dos tempos de espera.

O mesmo vale para a jornada completa do paciente, desde a entrada até a alocação em um leito de internação. O hospital já passou de 238 para 222 minutos e segue agora em busca da meta de 186 minutos.

“O que sustenta esses avanços é o engajamento de toda a equipe. Diretoria, corpo clínico, enfermagem e setores de apoio têm atuado de forma integrada, uma das condições primordiais para que o projeto funcione. Sem esse alinhamento interno, os dados e as ferramentas por si só não produzem resultado”, completa Elisabete.

Para desenvolver o projeto Lean nas Emergências, o Hospital da Mulher Maria José dos Santos Stein, gerenciado pela Fundação do ABC em parceria com a Prefeitura de Santo André, tem contado com a consultoria e o acompanhamento diário do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, de São Paulo.

Os consultores fazem visitas mensais e reuniões online frequentes com as equipes do equipamento andreense.

Há ainda frentes estratégicas em consolidação.

Dentre elas, a gestão integrada de leitos, o planejamento de alta segura para mães e bebês, a padronização das prescrições médicas e o fortalecimento da comunicação institucional.

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