Embora mais comum em adultos, o lúpus pode se manifestar ainda na infância e adolescência, período em que tende a apresentar formas mais agressivas e sintomas muitas vezes confundidos com outras enfermidades.
É o alerta que faz o Centro Universitário FMABC por conta do 10 de maio, marcado como Dia Mundial do Lúpus.
Segundo o médico reumatologista pediátrico Rogério do Prado, professor da FMABC, fatores hormonais, ambientais e emocionais podem contribuir para o surgimento da doença autoimune.
“Existem fatores de risco que aumentam a possibilidade de lúpus em crianças e principalmente adolescentes. Nessa fase de mudanças hormonais, aumenta a chance de desenvolvimento de doenças autoimunes”, explica.
Entre os possíveis desencadeantes também estão infecções, traumas e fatores emocionais.
Na fase inicial, o lúpus pode apresentar sintomas inespecíficos, como febre, perda de peso, lesões de pele e alterações renais leves, o que dificulta o diagnóstico precoce.
“O lúpus pode começar parecido com várias doenças. Conforme ele evolui, surgem manifestações cardíacas, neurológicas, pulmonares e renais, além de alterações laboratoriais, como anemia e queda das células de defesa”, afirma o especialista.
Segundo ele, os casos em crianças exigem atenção especial por apresentar maior gravidade em comparação aos adultos. “Na criança, a doença costuma acometer principalmente rins e sistema nervoso central”, ressalta.
O tratamento é realizado inicialmente com corticoides para controlar a inflamação e, posteriormente, com imunossupressores, definidos conforme os órgãos afetados.
Apesar da gravidade, o médico reforça que os avanços terapêuticos mudaram significativamente o prognóstico da doença.
“Hoje, mais de 90% dos pacientes atingem a maioridade com vida ativa e sem sequelas importantes. Há 20 anos, a taxa de mortalidade era muito maior”, destaca.
O especialista também chama atenção para os impactos emocionais e sociais da doença, especialmente entre adolescentes.
O uso prolongado de corticoides pode provocar alterações físicas, como inchaço facial, acne e queda de cabelo, fatores que frequentemente geram sofrimento emocional e preconceito.
“Estamos falando de uma faixa etária muito exposta às redes sociais e aos padrões de beleza. Isso afeta diretamente a autoestima desses pacientes”, observa.
Atualmente, o ambulatório de reumatologia pediátrica da FMABC realiza atendimentos semanais e acompanha entre 16 e 20 pacientes com lúpus por mês.
O acompanhamento multiprofissional é considerado essencial no tratamento.
“Não é uma doença que afeta apenas a criança ou adolescente. Toda a família acaba impactada. Por isso, além do reumatologista, é importante o suporte de psicólogos, terapeutas, nutricionistas e outros profissionais”, afirma.
O médico ainda alerta para os riscos da desinformação na internet.
“Ao pesquisar lúpus, muitas vezes aparecem conteúdos alarmistas relacionados à morte ou diálise. É importante buscar informações em fontes confiáveis, como as sociedades médicas especializadas”, conclui.







