segunda-feira, 5 de outubro

Hospital da Mulher de Santo André debate parto normal no Shopping ABC

O Shopping ABC, em Santo André, foi palco de uma conversa sobre um tema que costuma ficar restrito aos consultórios: a escolha do parto normal.

Dirigentes do Hospital da Mulher de Santo André, unidade gerida pela Fundação do ABC em parceria com a Prefeitura, participaram de uma roda de conversa com Carla Capuano, fundadora da organização da sociedade civil (OSC) A Casita, e representantes do UNICEF, como parte da programação do Mês da Conscientização do Parto Normal.

O encontro integra a campanha “Uma vida, novos sentidos”, que ocupa o Piso 2 do shopping até 1º de novembro e é realizada pela A Casita, organização especializada em humanização do parto.

Em Santo André, 29 de setembro é, desde 2025, o Dia da Conscientização do Parto Normal, instituído por uma lei municipal da qual Carla foi coautora.

Representando o hospital, o diretor clínico, Dr. Kevin Oliveira, ginecologista e obstetra, defendeu que a qualidade da assistência vai além do resultado clínico.

Segundo ele, a segurança da mãe e do bebê é essencial, mas a experiência vivida pela mulher também deve ser considerada.

“Humanizar não é abrir mão da ciência. Humanizar é unir evidência científica, segurança e autonomia”, afirmou.

O médico explicou que o cuidado começa no pré-natal e depende da atuação integrada de uma equipe multiprofissional, com médicos, enfermeiros, psicólogos e agentes comunitários de saúde

“O parto desejado precisa ser, acima de tudo, informado, respeitado e seguro”, disse.

Humanização

A gerente administrativa do Hospital da Mulher, Elisabete Tavares, abordou os desafios e as ações em andamento.

Ela lembrou que muitas gestantes realizam todo o pré-natal na Atenção Básica e chegam ao hospital sem conhecer as práticas de humanização adotadas durante o parto normal.

“Principalmente na primeira gestação, muitas mulheres têm medo da dor do trabalho de parto, associando esse processo ao sofrimento. Elas não sabem que dispomos de uma ambiência adequada e individualizada, com suítes PPP (pré-parto, parto e pós-parto)”.

Ela também listou outras propostas do hospital para tornar o nascimento mais tranquilo.

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“Também temos outros métodos não farmacológicos, como bola de pilates, barra, balanço pélvico, banqueta e hidroterapia. Quando necessário, oferecemos métodos farmacológicos para o alívio da dor, como analgésicos”, explicou.

Tudo isso para que a mãe se sinta respeitada e acolhida e seja protagonista do próprio dar à luz.

Para ampliar esse conhecimento na rede, o hospital prepara, em parceria com a Secretaria de Saúde de Santo André, duas novidades: o protocolo de atendimento, na Atenção Básica, às gestantes de risco habitual, e o plano de parto do município, no qual a gestante registrará suas preferências, inclusive em relação à via de parto.

O lançamento está marcado para 26 de outubro, no Hospital da Mulher.

Depois disso, os médicos do hospital farão o matriciamento nas unidades básicas dos sete territórios da cidade, orientando médicos, enfermeiros e agentes comunitários de saúde.

“Com isso, vamos melhorar a comunicação e fazer com que elas cheguem mais bem orientadas ao hospital”, afirmou Elisabete.

O Hospital da Mulher é responsável por 100% dos partos realizados pelo SUS em Santo André, com média de 250 procedimentos por mês.

Para o Dr. Kevin, o objetivo é simples de expressar, embora exija trabalho diário.

“Queremos que cada mulher possa olhar para o nascimento do próprio filho e dizer que foi ouvida, respeitada, acolhida e cuidada com segurança”.

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