A aprovação, em dois turnos no Senado Federal, na quarta-feira (14), da proposta relacionada ao fim da escala 6×1 e à redução da jornada de trabalho representa uma vitória histórica da classe trabalhadora, resultado de anos de mobilização, defesa e negociação por melhores condições de trabalho e qualidade de vida.
A avaliação é do presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, que destaca a importância da conquista para os trabalhadores e trabalhadoras brasileiros.
“Eu ouso dizer que essa é a maior vitória, a maior conquista das trabalhadoras e dos trabalhadores desde a Constituição de 1988, que trouxe os direitos sociais, reduziu a jornada para 44 horas semanais e estabeleceu uma série de garantias constitucionais e direitos trabalhistas”, afirma Wellington Damasceno.
Para o dirigente, a conquista é motivo de celebração, mas também inaugura uma nova etapa de atuação sindical.
O próximo passo será negociar com as empresas a implementação da nova jornada, considerando os períodos de transição e as particularidades de cada setor, sem perder de vista a manutenção da atividade econômica, a competitividade das empresas e os ganhos concretos para os trabalhadores.
“É um momento de celebração para os trabalhadores e trabalhadoras e de atuação para os sindicatos. Precisamos negociar com as empresas como será a implementação da jornada, qual será o período de transição e como adequar a redução da jornada e as duas folgas na semana à realidade de cada empresa e de cada setor. O objetivo é manter a atividade e a competitividade das empresas, mas também garantir um ganho perceptível para quem trabalha”, ressalta.
O presidente também destaca o papel do governo federal na defesa da pauta e avalia que a aprovação representa uma vitória política dos trabalhadores.
Segundo ele, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve atuação firme em defesa da proposta, somando-se à pressão dos trabalhadores, das trabalhadoras e de parlamentares favoráveis à mudança.
“Sem dúvida, é uma vitória do povo trabalhador e do presidente Lula, que encampou essa pauta. Além da pressão dos trabalhadores e trabalhadoras e da atuação de deputados e deputadas, o presidente esteve firmemente comprometido com essa conquista”, afirma.
Para os Metalúrgicos do ABC, a redução da jornada está relacionada às profundas transformações tecnológicas e produtivas em curso no Brasil e no mundo.
O avanço das novas tecnologias exige que os ganhos de produtividade também se traduzam em melhores condições de vida, mais tempo para a família, o descanso, o lazer e a formação profissional.
“A aprovação representa um avanço nas relações de trabalho diante das novas tecnologias e das mudanças que estamos vivendo no mundo do trabalho. Essa transição tecnológica acontece não só no Brasil, mas em todo o mundo. É fundamental que os avanços da produção também se convertam em benefícios para quem trabalha”, conclui o presidente.
A defesa da redução da jornada, sem redução salarial, integra a luta histórica do movimento sindical por melhores condições de trabalho, valorização profissional e distribuição mais justa dos ganhos de produtividade.
Na categoria representada pelos Metalúrgicos do ABC, 52% já praticam a redução da jornada.
Ao todo, os Metalúrgicos do ABC representam 73 mil trabalhadores nas cidades de São Bernardo, Diadema, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra.







