Eleito deputado federal nas eleições de 2026, Paulo Serra (PSDB-SP) quer destravar o projeto do voto distrital misto e fazer da reforma eleitoral sua primeira bandeira no Congresso Nacional, em Brasília-DF.
Presidente da Executiva Estadual do PSDB de São Paulo e único representante eleito pela legenda paulista no Congresso Nacional, o tucano pretende retomar a discussão da proposta de autoria do ex-senador José Serra (PSDB-SP).
Aprovado pela Casa Alta em 2017, a matéria, desde então, segue sem deliberação e novas apreciações.
A ideia de Paulo Serra, que obteve 132.866 votos no último dia 4, busca conciliar duas formas de representação política: a de parlamentares identificados com grandes causas estaduais e nacionais e a de deputados com atuação regional, ligados às demandas dos municípios.
Para o tucano, o modelo permite ampliar a proximidade entre eleitores e representantes, sem comprometer a pluralidade de pautas no Congresso:
“Uma das minhas prioridades em Brasília será desengavetar o projeto do voto distrital misto. Não sou contra os parlamentares das grandes causas. É legítimo, e o voto é soberano. Mas precisamos preservar espaço para a representação regional, para quem acompanha o cotidiano das cidades. Estas duas formas de atuação se complementam”, pondera Paulo Serra que, só em Santo André-SP, município do qual foi prefeito por dois mandatos consecutivos (2017/2020 – 2021/2024), recebeu 103.976 dos sufrágios válidos.
Pelo texto original (PL 86/2017), o eleitor passaria a ter dois votos nas eleições proporcionais: um para escolher o candidato de seu distrito e outro para definir o partido de sua preferência.
Neste cenário, metade das cadeiras seria preenchida pelos postulantes mais bem votados em cada distrito, enquanto as demais seriam distribuídas proporcionalmente entre os partidos, de acordo com a votação das legendas e as regras de alocação previstas em lei.
Paulo Serra esteve em Brasília esta semana.
Na prática, o sistema defendido por Paulo Serra combinaria dois tipos de representação.
De um lado, o eleitor poderia escolher um candidato com atuação diretamente vinculada à sua região, com maior proximidade das demandas locais.
De outro, continuaria votando num partido que representa suas preferências políticas e ideológicas, preservando, assim, espaço para parlamentares dedicados a temas de alcance estadual e/ou nacional.
O ex-prefeito de Santo André cita o ABC, sua principal base eleitoral, como exemplo para ilustrar a lógica do modelo.
Considerando hipoteticamente a região como um distrito, haveria quatro vagas destinadas a representantes locais, enquanto outras quatro seriam preenchidas pela lógica proporcional partidária.
A divisão ficará condicionada à configuração definitiva dos distritos e das regras aplicáveis ao sistema eleitoral.
“Quem defende a causa animal, quem tem uma pauta nacional ou quem se dedica a grandes debates políticos precisa continuar tendo espaço. Ao mesmo tempo, precisamos garantir que as regiões tenham representantes comprometidos com Mobilidade Urbana, Habitação, Saúde e os problemas que afetam o dia a dia das pessoas. Não é uma escolha entre uma coisa e outra”, reforça o tucano, avaliando que o texto de 2017 precisa ser atualizado para refletir a realidade política e eleitoral brasileira.
Veja a íntegra da entrevista exclusiva concedida ao ABC em OFF.







