sábado, 18 de abril

Mauá: Comunidade do entorno do CRAS Falchi participa de criação da Horta dos Saberes

Quem nunca teve uma xícara de chá para resolver um desconforto, para acalmar ou para oferecer para uma visita? A sabedoria popular sempre viu nas plantas a solução para muitas coisas, além da função primordial de alimentar.

“O contato com a terra cura. Juntos, vamos plantar até conseguirmos colher o que nos fortaleça”, convidou a coordenadora técnica de atividades Maura Akã mbareté.

Ao lado estava a prima, a coordenadora de curadoria e pesquisa Silvia Monica Muiramomi, ambas indígenas da etnia Guaianá-Muiramomi.

Elas iniciaram um canto, acompanhado de batidas do pé adornado por um chocalho de sementes, que ditou o ritmo dos participantes que se dirigiram para o local do horta.

O convite de Maura foi feito durante a cerimônia do plantio que deu origem a primeira Horta dos Saberes de Mauá, nas dependências do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) na Vila Falchi.

“É uma alegria contagiante! Cresci na roça e mexer na terra é uma coisa que me traz muitas memórias afetivas. A horta trará inúmeras possibilidades para todos que puderam ajudar a cuidar e manter”, disse a secretária de Assistência Social, Fernanda Oliveira.

“É uma obrigação voltarmos à ancestralidade porque, embora o progresso traga coisas boas, também traz desafios. E a sabedoria popular pode nos ajudar”, disse o secretário de Segurança Alimentar e Nutricional, Hélio Tomaz Rocha.

A Horta dos Saberes Ancestrais integra a Estratégia Alimenta Cidades do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome. A estratégia apoia municípios na produção, no acesso e no consumo de alimentos frescos, nutritivos e saudáveis, especialmente em áreas urbanas vulneráveis, além de promover educação alimentar e ambiental. Nina Brito estava animada, plantando cebolinhas.

“Amei!!! Já sou voluntária aqui e ensino artesanato. Todas as quartas-feiras virei aguar e cuidar”, falou Nina.

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A horta foi cultivava pelos usuários e usuários do CRAS Falchi. Sua implantação é resultado da parceria das secretarias de Assistência Social e de Segurança Alimentar e Nutricional, com apoio da Secretaria de Serviços Urbano, da Prefeitura de Mauá, com a assessoria do Instituto Comida do Amanhã, parceiro do Ministério, e do Projeto Ubuntu, do Instituto Diversidade, que promove fortalecimento dos vínculos comunitários e a ocupação positiva dos territórios.

“Inicialmente, 60 municípios foram selecionados em 2024. Em 2025, foram mais 24. Em 2026, mil municípios aderiram ao Programa de Estratégia Alimenta Cidades. Mauá é uma referência, ja conhecemos várias experiências aqui e vamos levar para outros municípios”, explicou a gerente de projetos do Instituto Comida do Amanhã, Raquel Hunger.

As indígenas participaram também porque outro objetivo é a valorização cultural, com a incorporação de práticas de cultivo baseadas em conhecimentos tradicionais.

O pequeno Enzo Hiroshi estava meio desconfortável e foi lavar as mãozinhas cheias de terra, olhando curioso para a cor diferente nos dedinhos.

“Ele disse que estava ansioso para ver os indígenas”, disse a avó Edne Maria da Silva. Ele também plantou suas mudinhas e, quando voltar das outras vezes para acompanhar a avó nas atividades do CRAS, também vai cuidar das suas plantinhas.

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