A Secretaria de Saúde de Mauá anunciou a ampliação do número de brigadistas que atuam no enfrentamento às arboviroses no município.
A proposta foi apresentada durante reunião da Sala de Situação – encontro que reúne representantes de diversas secretarias para definir estratégias de controle de doenças como dengue, zika, chikungunya e febre amarela.
A iniciativa reforça o papel da prevenção como principal ferramenta no combate ao mosquito Aedes aegypti, vetor destas doenças, especialmente diante do histórico recente enfrentado pela cidade.
Após cenário crítico em 2024, quando foram registrados mais de 11 mil casos de dengue e 11 mortes, Mauá vem conseguindo reduzir significativamente os índices da doença por meio de ações integradas e planejamento estratégico.
Segundo a coordenadora de Vigilâncias em Saúde de Mauá, Fabiana Marinho de Macedo Vieira, a proposta é ampliar o engajamento das secretarias municipais na formação de novos brigadistas.
“Pedimos para que os representantes das secretarias conversem com suas chefias e indiquem nomes que possam levar esse trabalho adiante. Vamos adequar as agendas para realizar a formação antes da chegada do verão”, explicou. “A vigilância é a nossa melhor defesa. O combate às arboviroses é uma responsabilidade coletiva, que envolve todas as áreas da administração pública e também a população”, completou.
Atualmente, Mauá conta com 182 brigadistas formados – servidores de diferentes áreas que atuam tanto na prevenção dentro dos próprios órgãos públicos quanto como multiplicadores de informação à comunidade.
A última capacitação foi realizada em outubro do ano passado.
Para a supervisora de Controle de Vetores do município, Michelle Gama de Abreu, o papel desses agentes é estratégico, especialmente considerando o comportamento do mosquito transmissor.
“O brigadista cuida justamente do ambiente onde passamos a maior parte do dia. A fêmea do mosquito, responsável pela transmissão, costuma picar durante o período diurno, quando a maioria das pessoas está no trabalho”, destacou.
Apesar da redução expressiva nos casos em 2026 – com 21 registros confirmados e nenhuma morte até 11 de abril, contra 619 casos no mesmo período do ano anterior –, a Vigilância Epidemiológica mantém o alerta.
“Estamos em um período mais frio e seco, quando as doenças respiratórias ganham destaque. Ainda assim, não podemos descuidar da dengue. A transmissão ocorre durante todo o ano e exige vigilância permanente”, alertou Michelle.
Dados do Ministério da Saúde indicam que o Brasil registrou, até a mesma data, mais de 108 mil casos de dengue, com 80 mortes confirmadas e outras 179 em investigação.
No estado de São Paulo, foram contabilizados mais de 25 mil casos e dois óbitos, o que reforça a importância de ações contínuas nos municípios.
Para a secretária adjunta de Saúde de Mauá, Kátia Navarro Watanabe, o avanço observado na cidade é resultado direto do trabalho integrado entre planejamento, monitoramento e mobilização social.
“A queda nos casos demonstra que estamos no caminho certo, mas não há espaço para relaxamento. Precisamos fortalecer as ações preventivas agora, antes do período mais crítico, para proteger ainda mais a população”, afirmou.
Entre as estratégias adotadas está o Plano Municipal de Contingência, atualizado no fim de 2025, além da realização periódica da Avaliação de Densidade Larvária (ADL), prevista para ocorrer novamente em maio.
A ferramenta é essencial para medir a infestação do mosquito, identificar criadouros e direcionar ações de combate.
O último levantamento apontou índices elevados em bairros como Parque São Vicente, Jardim Oratório e Vila Assis Brasil, que passaram a receber atenção prioritária.
“Após mutirões realizados nessas regiões, já observamos melhora em relação ao ano passado. Mesmo com índices abaixo do nível de risco, ainda há transmissão, o que exige atenção constante”, explicou Michelle.
Outro ponto de atenção é a subnotificação de casos, que pode comprometer a eficácia das ações de controle.
“A notificação adequada é fundamental para identificar surtos e direcionar bloqueios nas áreas mais afetadas”, ressaltou o enfermeiro da Vigilância Epidemiológica, Robervânio Romeiro Damasceno.
A Sala de Situação de Arboviroses, que segue ativa independentemente do período do ano, também definiu o reforço de campanhas de conscientização e a ampliação de ações educativas em eventos promovidos pela Prefeitura.
A proposta é intensificar a orientação sobre medidas simples, como eliminação de água parada, manutenção de piscinas, troca regular da água de animais e descarte correto de resíduos – práticas que podem interromper o ciclo de reprodução do mosquito.






