quinta-feira, 4 de junho

Alesp: Líder do governo é acusado de machismo contra Ana Carolina Serra em 4ª tentativa de ouvir presidente da Sabesp

Uma articulação liderada pelo deputado Gilmaci Santos (Republicanos), líder do governo Tarcísio de Freitas na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), derrubou a sessão da Comissão de Assuntos Metropolitanos nesta quarta-feira (3).

O colegiado colheria o depoimento do presidente da Sabesp, Carlos Piani, convidado a prestar esclarecimentos sobre os sucessivos acidentes operacionais e o reajuste de tarifas após a privatização da companhia.

Após três tentativas frustradas de convocação por parte da comissão, Piani compareceu ao parlamento paulista.

No entanto, em uma manobra regimental para inviabilizar os trabalhos, a base governista retirou os parlamentares do plenário, impedindo que se atingisse o quórum mínimo de seis deputados para a abertura formal dos trabalhos, na ocasião cinco parlamentares estavam presentes.

Diante do esvaziamento, o presidente da Sabesp deixou o local sem ser interpelado.

O encerramento abrupto da sessão evoluiu para um bate-boca generalizado.

A presidente da comissão, deputada estadual Ana Carolina Serra (PSDB), apontou para uma oitiva informal do presidente da Sabesp.

No mesmo instante Gilmaci Santos tentou intimidá-la verbalmente para impedir a condução dos trabalhos, extrapolando o debate político e descambando para o desrespeito institucional e de gênero

Em nota, a parlamentar tucana repudiou a postura do líder governista e classificou o episódio como um ataque que ultrapassa as fronteiras ideológicas.

“O que eu vivenciei é, no mínimo, lamentável. Ainda mais no exercício de meu trabalho na Assembleia Legislativa de São Paulo. O que aconteceu é algo que está acima da política. Quando uma mulher é desrespeitada, não é apenas uma pessoa que é atingida, é uma agressão aos valores que a sociedade humana, mundial, vem construindo ao longo de décadas. O que vivenciei na reunião foi a falta de respeito de um homem com uma mulher. E isso é inaceitável”, afirmou Ana Carolina Serra.

A deputada ressaltou a gravidade de o episódio ter ocorrido no ambiente legislativo, que deveria servir de espelho civilizatório para o Estado.

“Nós vivemos em uma sociedade que avançou muito na luta por respeito, igualdade e dignidade. Não existe mais espaço para comportamentos que tentem constranger, intimidar ou desrespeitar uma mulher em qualquer ambiente que ela se encontre. Mas é ainda mais grave quando isso acontece dentro de uma Casa de Leis.”

Para a bancada do PSDB, a estratégia do Palácio dos Bandeirantes de blindar o comando da Sabesp privatizada acirra os ânimos na Alesp, transformando uma prerrogativa de fiscalização técnica em um embate pessoal.

“Podemos divergir. Podemos ter posições opostas. Podemos fazer debates duros e defender nossas convicções com firmeza, mas nada, absolutamente nada, justifica ultrapassar os limites do respeito. Esse não é um debate sobre esquerda ou direita, sobre governo ou oposição. Não é sobre quem está certo ou errado na discussão envolvendo a Sabesp. Tenho convicção de que a política precisa dar o exemplo: mais respeito, mais equilíbrio e mais civilidade. É isso que a sociedade espera de todos nós”, concluiu a presidente da comissão.

A oposição e blocos independentes na Alesp estudam acionar a Mesa Diretora para apurar a conduta do líder do governo durante a sessão.

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A executiva estadual do PSDB também manifestou Nota de Repúdio sobre os acontecimentos na Alesp.

Veja a íntegra do texto.

A Executiva Estadual do PSDB de São Paulo manifesta repúdio à conduta do deputado estadual Gilmaci Santos (Republicanos-SP) durante reunião da Comissão de Assuntos Metropolitanos e Municipais da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), realizada nessa quarta-feira (3/6).

Com o objetivo de impedir questionamentos ao diretor-presidente da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), Carlos Augusto Leone Piani, sobre as falhas na prestação de serviço de abastecimento hídrico à população paulista, o líder do governo Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos) retirou o executivo da audiência, às pressas e ainda de forma indiscutivelmente desrespeitosa com todos os membros do colegiado, que, simplesmente, exerciam, naquele momento, seus respectivos papéis legislativos.

Ao interromper reiteradamente os trabalhos conduzidos pela presidente da Comissão, a deputada estadual Ana Carolina Serra (PSDB), elevar o tom de voz de maneira desrespeitosa e adotar postura incompatível com a liturgia do cargo parlamentar, Gilmaci Santos ultrapassou todos os limites do debate democrático e do respeito institucional que devem nortear a convivência entre os representantes eleitos pela população paulista.

A violência política de gênero se manifesta justamente quando mulheres são constrangidas, desqualificadas ou desrespeitadas no exercício de suas funções públicas. Não é aceitável que, em pleno século 21, parlamentares mulheres ainda sejam submetidas a comportamentos intimidatórios, misóginos e que buscam enfraquecer a autoridade e a legitimidade na condução dos trabalhos legislativos.

Ana Carolina Serra exerceu, durante todo o episódio, sua prerrogativa regimental de presidir os trabalhos da Comissão, mantendo a serenidade e o compromisso com o bom andamento das atividades parlamentares. O comportamento adotado por Gilmaci Santos afronta não apenas a deputada, mas também a própria Alesp e os princípios de respeito e de civilidade que devem prevalecer no ambiente democrático.

O PSDB São Paulo reafirma sua solidariedade à deputada Ana Carolina Serra. Não haverá Democracia plena no Brasil, enquanto mulheres precisarem enfrentar, além do debate político, atitudes que tentam silenciá-las ou deslegitimá-las no exercício de seus mandatos.

 

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