A conclusão das negociações do Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) representa um importante avanço para a inserção internacional da economia brasileira e pode trazer impactos positivos para uma das regiões mais industrializadas do país: o ABC.
Formado por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein, o bloco da EFTA reúne economias altamente desenvolvidas, reconhecidas pelo elevado poder aquisitivo, inovação tecnológica e forte demanda por produtos industrializados e serviços especializados.
Para a Profa. Dra. Mayra Coan Lago, coordenadora do curso de Bacharelado em Relações Internacionais do Centro Universitário Fundação Santo André (FSA), o acordo amplia as perspectivas de internacionalização para empresas brasileiras e fortalece a competitividade da indústria nacional.
“O acordo entre Mercosul e EFTA representa uma oportunidade estratégica para ampliar o acesso das empresas brasileiras a mercados sofisticados e altamente exigentes. Para o Grande ABC, cuja economia é fortemente baseada na indústria, na inovação e nos serviços, essa aproximação pode gerar novas oportunidades de negócios, investimentos e geração de empregos.”
O que é o EFTA?
A Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) reúne quatro países europeus que não fazem parte da União Europeia:
Suíça;
Noruega;
Islândia;
Liechtenstein.
Embora possuam uma população relativamente pequena, esses países apresentam algumas das maiores rendas per capita do mundo, elevados índices de inovação e forte participação no comércio internacional.
Segundo Mayra Coan Lago, trata-se de mercados que valorizam qualidade, tecnologia, sustentabilidade e produtos de alto valor agregado.
Como o ABC pode ser beneficiado?
A região do ABC concentra importantes empresas dos setores:
automotivo;
autopeças;
químico;
farmacêutico;
metalúrgico;
máquinas e equipamentos;
tecnologia;
logística;
serviços empresariais.
Para a especialista, a redução gradual de tarifas comerciais e a ampliação da cooperação econômica poderão aumentar a competitividade dessas empresas no mercado internacional.
“Empresas que já possuem capacidade de inovação e produção poderão ampliar suas exportações e participar de novas cadeias globais de valor. Além disso, o acordo pode estimular investimentos estrangeiros e fortalecer a integração tecnológica entre o Brasil e os países da EFTA.”
Mais oportunidades para profissionais
Além dos impactos econômicos, a professora destaca que acordos internacionais também aumentam a demanda por profissionais qualificados.
Entre as áreas que podem ser beneficiadas estão:
Comércio Exterior;
Relações Internacionais;
Administração;
Engenharia;
Logística;
Direito;
Economia;
Tecnologia da Informação.
“A internacionalização das empresas exige profissionais preparados para negociar em ambientes multiculturais, compreender normas internacionais, gerenciar cadeias globais de suprimentos e atuar em mercados cada vez mais conectados.”
Competitividade e inovação
Segundo Mayra Coan Lago, a abertura de mercados também estimula ganhos de produtividade.
“Ao competir em mercados mais exigentes, as empresas tendem a investir mais em inovação, qualidade, sustentabilidade e eficiência. Isso fortalece a economia regional e contribui para o desenvolvimento tecnológico da indústria brasileira.”
Ela ressalta, entretanto, que a ampliação da concorrência também exige planejamento por parte das empresas.
“Os acordos comerciais criam oportunidades, mas também aumentam a necessidade de inovação e adaptação. As empresas que investirem em tecnologia, qualificação profissional e diferenciação terão maiores condições de aproveitar esse novo cenário.”
O papel da universidade
Para a coordenadora do curso de Relações Internacionais da Fundação Santo André, a formação de profissionais preparados para compreender o ambiente internacional torna-se cada vez mais estratégica.
“Vivemos em uma economia globalizada, na qual decisões tomadas em outros países impactam diretamente empresas e trabalhadores brasileiros. Formar profissionais com visão internacional, conhecimento geopolítico e capacidade de negociação é essencial para fortalecer a competitividade do país.”
ABC cada vez mais conectado ao mundo
A professora acredita que a vocação industrial e tecnológica da região coloca o Grande ABC em posição privilegiada para aproveitar as oportunidades geradas por acordos internacionais.
“O Grande ABC sempre foi protagonista no desenvolvimento industrial brasileiro. Com acordos como o Mercosul-EFTA, a região pode ampliar ainda mais sua inserção internacional, atraindo investimentos, fortalecendo a inovação e criando novas oportunidades para empresas, profissionais e estudantes. É um momento que reforça a importância de pensar globalmente e preparar pessoas capazes de atuar em um mercado cada vez mais integrado.”







