A inauguração do Centro Cultural Metalúrgicos Modernistas marcou, no fim de semana, um capítulo decisivo na história da organização cultural da classe trabalhadora da região do ABC.
Com forte adesão popular e a presença de artistas, agentes culturais, trabalhadores e lideranças comunitárias, o novo equipamento já nasce consolidado como referência em produção, formação e articulação cultural no território.
O ato inaugural transcendeu a mera abertura de um espaço físico.
Tratou-se, sobretudo, da afirmação pública de um projeto coletivo que reconhece a cultura como dimensão estruturante da vida social — diretamente vinculada à dignidade, à consciência crítica e à construção de futuro para os trabalhadores e suas famílias.
Em sintonia com esse horizonte, o Centro orienta sua atuação pela defesa da cultura como direito de primeira necessidade, integrando aquilo que seus idealizadores definem como a “cesta básica” da classe trabalhadora.
A proposta avança ainda sobre uma lacuna histórica das políticas culturais brasileiras: o acesso de trabalhadores submetidos a jornadas extenuantes — como a escala seis por um — tradicionalmente alijados dos circuitos de fruição e participação cultural.
“Cultura não é privilégio, é direito de primeira necessidade. Ela precisa estar na cesta básica do trabalhador, ao lado do alimento, da moradia e da saúde.
Por isso construímos um espaço que dialoga com quem cumpre jornadas exaustivas e historicamente foi excluído dos circuitos culturais”, destacou Henrique Celso Azevedo Alves Presidente do Instituto Modernista.
Desde a abertura oficial, o Centro já opera com uma agenda permanente de atividades.
Entre os destaques estão as oficinas atualmente em andamento:
– Arte urbana — formação em linguagens visuais do território
– Pintura em tecido — técnica artística de raiz popular
– Fotografia — leitura crítica da imagem e do cotidiano
– Artes cênicas — corpo, expressão e narrativa coletiva
As ações formativas têm mobilizado jovens, trabalhadores e famílias, articulando o acesso à linguagem artística ao fortalecimento da identidade, do pertencimento e da organização coletiva — sempre em horários e formatos pensados a partir da realidade concreta de quem trabalha.
Como parte da consolidação do espaço, o Centro estrutura seu percurso expositivo permanente, que integra memória sindical, linguagem contemporânea e expressão artística da classe trabalhadora.
Acervo Sindical
– Registros históricos, documentos e imagens do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC
– Memória das mobilizações e conquistas sociais
“O percurso expositivo conecta a memória das nossas lutas com a produção artística contemporânea. É a história da nossa categoria dialogando com novas linguagens, mostrando que o trabalhador também é sujeito da criação cultural”, ressaltou Henrique Celso.
Nos próximos dias, o Centro abrirá novas turmas dos cursos da Escola Criativa do Trabalho, ampliando o acesso às atividades formativas e garantindo a continuidade do projeto pedagógico-cultural já em curso.
O espaço funciona de segunda a sexta-feira, das 15h às 20h
Finais de semana e feriados: aberto conforme agenda de atividades previamente divulgada.







