O Brasil precisaria aplicar R$ 330 bilhões ao longo da próxima década para recuperar e modernizar sua malha federal.
A estimativa integra levantamento da Associação Nacional de Empresas de Obras Rodoviárias (ANEOR), que dimensiona o esforço necessário para enfrentar gargalos históricos de infraestrutura e ampliar a eficiência logística do país.
O diagnóstico abrange 95 mil quilômetros e estabelece quatro frentes prioritárias.
São 32 mil quilômetros destinados à restauração, 24 mil à duplicação, 4,8 mil à pavimentação e implantação e outros 6 mil a melhorias.
A execução desse conjunto de obras poderia representar uma economia de R$ 800 bilhões em custos operacionais, além de proporcionar ganhos em segurança viária e redução de emissões poluentes.
A dimensão dos números encontra correspondência na rotina de quem cruza o país transportando cargas.
Pavimento deteriorado, limitações de capacidade e deficiências estruturais prolongam viagens, aceleram o desgaste dos veículos e elevam os riscos enfrentados pelos profissionais.
“Quem trabalha na estrada conhece os pontos críticos. Há locais em que o pavimento ruim, a falta de estrutura e os gargalos aumentam o tempo de viagem, desgastam os veículos e tornam o trajeto mais arriscado. Pensar nos próximos dez anos é fundamental para que o país deixe de agir somente quando o problema já chegou ao limite”, afirma José Ronaldo Marques da Silva, o Boizinho, presidente do Sindicato Nacional dos Cegonheiros (Sinaceg).
Com uma base superior a 5 mil profissionais ligados ao transporte de veículos, o Sinaceg acompanha uma atividade especialmente sensível à qualidade das vias.
Trechos comprometidos interferem na escolha dos trajetos, nos prazos de entrega e na segurança de motoristas e cargas.
Outro ponto levantado pela ANEOR é a necessidade de substituir ações descontínuas por uma política permanente, orientada por critérios técnicos e fontes estáveis de financiamento.
Embora reconheça a relevância das concessões, o documento considera o aporte público essencial para atender a maior parte da rede federal.
Márcio Galdino, diretor regional do Sinaceg, destaca que ampliar os recursos sem assegurar conservação posterior pode limitar os resultados esperados.
“Recuperar um trecho e encontrá-lo deteriorado novamente poucos anos depois significa perder dinheiro e trazer de volta dificuldades para quem depende daquela rota todos os dias. Manutenção, sinalização e conservação precisam caminhar junto com as obras. A entrega não pode ser o ponto final. É preciso preservar o que foi feito”, afirma.
A estimativa de R$ 800 bilhões em redução de despesas operacionais evidencia ainda o alcance econômico da proposta.
Uma infraestrutura mais eficiente pode diminuir gastos associados à movimentação de mercadorias, encurtar deslocamentos e proporcionar maior previsibilidade às cadeias produtivas.
“Quando o percurso oferece boa qualidade, diminuem o tempo gasto, o desgaste da frota e as perdas durante o transporte. Esse ganho chega ao custo logístico e repercute na economia. Melhorar nossas estradas significa tornar o país mais eficiente”, diz Boizinho.
A proposta apresentada pela ANEOR busca tirar a recuperação da malha federal da lógica de intervenções pontuais e estabelecer uma agenda de longo prazo. Entre a projeção financeira e a realidade do asfalto, o principal desafio será garantir continuidade, recursos previsíveis e capacidade de execução.





