A popularização das chamadas “canetas emagrecedoras” colocou medicamentos como a semaglutida no centro das discussões sobre obesidade e saúde metabólica.
Embora os resultados possam ser significativos para pacientes com indicação clínica, especialistas alertam que esses medicamentos não devem ser tratados como soluções estéticas ou utilizados sem acompanhamento profissional.
Para a Profa. Me. Kelly Cristina Batista de Souto Queiroz, professora do curso de Biomedicina do Centro Universitário Fundação Santo André, compreender o funcionamento dessas substâncias é importante para evitar a banalização do tratamento.
“A semaglutida atua em mecanismos relacionados à saciedade, ao apetite e ao controle da glicemia. É um medicamento que pode trazer benefícios importantes quando corretamente indicado, mas seu uso precisa ser acompanhado por profissional qualificado”, explica a professora.
O que a semaglutida faz no organismo?
A semaglutida pertence à classe dos agonistas do receptor de GLP-1.
De maneira simplificada, ela imita a ação de um hormônio produzido naturalmente pelo organismo e atua em mecanismos envolvidos no controle da glicose e do apetite.
A ativação do receptor GLP-1 contribui para o controle do peso e do metabolismo da glicose.
Um dos efeitos é o aumento da sensação de saciedade, fazendo com que a pessoa sinta menos fome e, consequentemente, possa consumir menos alimentos.
Dependendo do medicamento e de sua indicação aprovada, a semaglutida pode ser utilizada no tratamento do diabetes tipo 2 ou no controle crônico do peso associado a mudanças de alimentação e atividade física.
“É importante entender que a caneta não simplesmente ‘queima gordura’. Existe uma atuação complexa sobre mecanismos metabólicos e de regulação da alimentação”, ressalta Kelly.
Não existe apenas uma “caneta emagrecedora”
A expressão popular pode causar confusão.
Semaglutida, tirzepatida e liraglutida, por exemplo, são princípios ativos diferentes, com mecanismos, indicações e características próprias.
A Anvisa classifica esses medicamentos dentro do grupo de terapias relacionadas ao GLP-1 e vem reforçando a importância de controle sobre sua utilização.
No Brasil, inclusive, desde junho de 2025 a dispensação de medicamentos agonistas de GLP-1 está sujeita à retenção da receita, medida adotada pela Anvisa diante do aumento de eventos adversos relacionados ao uso fora das indicações aprovadas.
Quais são os riscos?
Apesar dos benefícios terapêuticos, os medicamentos não são isentos de efeitos colaterais.
Problemas gastrointestinais, tais como náuseas, vômitos, diarreia e constipação, podem ocorrer.
Em fevereiro de 2026, a Anvisa também publicou um alerta sobre o risco de pancreatite aguda associado ao uso indevido dessas canetas, reforçando que elas devem ser utilizadas conforme a bula e sob prescrição e acompanhamento profissional.
“O fato de um medicamento ajudar na redução de peso não significa que seja apropriado para qualquer pessoa. Histórico de saúde, indicação clínica e acompanhamento são fundamentais”, explica a professora.
A procedência também merece atenção.
Em 2026, a Anvisa intensificou ações contra produtos irregulares e alertou para problemas envolvendo importação e manipulação de medicamentos injetáveis utilizados para emagrecimento.
Semaglutida também vem ganhando novas aplicações
A importância dessa classe de medicamentos vai além da perda de peso.
Em fevereiro de 2026, a Anvisa aprovou o Wegovy, que contém semaglutida na sua composição, uma indicação para redução do risco de eventos cardiovasculares graves, como infarto e AVC, em adultos com doença cardiovascular previamente diagnosticada e com obesidade ou sobrepeso.
Isso reforça, segundo a especialista, que a obesidade deve ser considerada como uma questão de saúde, em vez de ser vista unicamente sob a perspectiva da aparência.
“O debate precisa sair da busca por emagrecimento rápido e avançar para o cuidado integral. Alimentação, atividade física, acompanhamento profissional e saúde metabólica continuam sendo fundamentais”, afirma Kelly.
Ciência deve orientar o tratamento
Para a Profa. Kelly, a popularidade das canetas também representa uma oportunidade para ampliar a discussão sobre metabolismo, obesidade e uso responsável de medicamentos.
“A ciência trouxe novas possibilidades para o tratamento da obesidade e de doenças metabólicas. O desafio agora é garantir que essas ferramentas sejam utilizadas com segurança, indicação adequada e acompanhamento, sem transformar um tratamento médico em tendência de consumo”, conclui.
Informações institucionais
O Centro Universitário Fundação Santo André, Fundação Pública Municipal, tem mais de 70 anos, 100.000 alunos formados e conta com mais de 100 laboratórios, tem NOTA MÁXIMA 5 institucional junto ao MEC e conta com cursos na área de Direito, Negócios, Engenharia, Arquitetura, Química, Ciência da Computação, Ciência de Dados e IA, TI, Psicologia, Biomedicina dentre outros.
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