A Prefeitura de São Bernardo, por meio da Secretaria de Educação, realizou, nesta quarta-feira (28/1), um encontro formativo que marcou o início das atividades de 2026 voltadas aos cuidadores e supervisores que atuam no atendimento às crianças e estudantes com deficiência da rede municipal de ensino. A ação, no Cenforpe, reuniu cerca de 2.400 cuidadores, divididos em dois períodos, e contou com a participação de técnicos das Secretarias de Educação e Saúde.
A rede municipal de ensino registrou, em 2025, 72.340 crianças e estudantes matriculados. Deste total, 4.583 são crianças e jovens com deficiência, o que representa aproximadamente 6,3% das matrículas. Já 3.319 estudantes possuem diagnóstico de TEA (Transtorno do Espectro Autista), correspondendo a cerca de 4,6% do total de alunos da rede. Os números refletem a importância do fortalecimento de políticas públicas de inclusão, da formação continuada de profissionais e da ampliação de estratégias pedagógicas voltadas à educação inclusiva.
De acordo com o diretor da Seção de Inclusão Educacional da Secretaria de Educação, Edison de Queiroz, a formação é fundamental para garantir a permanência das crianças na escola. “Hoje, a rede municipal atende quase 5.000 crianças com deficiência. Muitas delas precisam de apoio que vai além da questão pedagógica, envolvendo cuidados relacionados à saúde, à locomoção e à higiene. Os cuidadores são essenciais para que essas crianças possam permanecer na escola e usufruir da oferta pedagógica”, destacou.
Segundo Edison, o encontro marca o início das atividades do ano e dá continuidade a um processo formativo desenvolvido desde 2025. “Essa formação pontual responde às principais necessidades apontadas pelos próprios cuidadores no levantamento realizado no ano passado e inicia um eixo comum de formação que será aprofundado ao longo do ano pelas Organizações da Sociedade Civil responsáveis pela contratação dos cuidadores, diretamente nas unidades escolares”, explicou.
TEMAS – Entre os principais temas abordados estão o atendimento a estudantes com TEA, com foco na permanência em sala de aula e no manejo de comportamentos, além de cuidados relacionados à saúde, como alimentação por sonda nasoenteral, gastrostomia, sonda vesical de alívio e o atendimento em situações de crise convulsiva. A formação também está alinhada ao Decreto nº 12.773/2025, que regulamenta a oferta de formação continuada aos profissionais de apoio escolar. “O decreto reafirma uma prática que São Bernardo já vinha realizando, reforçando a importância da qualificação permanente desses profissionais”, completou Edison.
Para a diretora do Departamento de Fortalecimento da Gestão Escolar, Cibeli Valente Tieppo Martim, o impacto da ação está diretamente relacionado à qualificação contínua dos profissionais. “É fundamental que a gente cuide cada vez mais dessas formações, porque elas não são pontuais. A legislação não exige uma formação prévia, mas sim que essa capacitação aconteça no ambiente de trabalho, e é isso que a Secretaria de Educação garante”, pontuou.
COOPERAÇÃO – A participação da Secretaria de Saúde ocorre por meio do Serviço de Atenção Domiciliar (SAD) e de áreas especializadas. A formação conduzida pela equipe do SAD contou com a atuação da enfermeira Kelly Bianchini, gerente do Serviço de Atenção Domiciliar, da fisioterapeuta Ana Luiza Merlini Camargo, supervisora do SAD, da nutricionista Mariana Guglak e do enfermeiro Rodrigo Colen Sedlmaier, que abordaram temas relacionados aos cuidados com dispositivos de alimentação enteral, gastrostomia, sondagem vesical de alívio e manejo de crises convulsivas no ambiente escolar, com foco na segurança e na atuação adequada diante de intercorrências.
Outro eixo importante da formação é o atendimento a estudantes com TEA. A psicóloga da Divisão de Saúde Mental da Secretaria de Saúde, Carina Velozo, ressaltou o significado da informação e da atuação rápida diante de situações de crise. “Cada criança com TEA é singular. Quanto mais os educadores conhecem o comportamento, as necessidades e os prejuízos funcionais dessa criança, mais conseguem ajudar, inclusive nos momentos de crise”, explicou.
Carina destacou também dados de atendimentos na cidade relacionados à saúde. “Estimamos 4 mil crianças com diagnóstico de TEA acompanhadas pela rede SUS. É um universo expressivo, que exige formação contínua e estratégias adequadas de intervenção”, afirmou.







