quarta-feira, 27 de maio

Mauá promove Dia D de Vacinação contra gripe e febre amarela após aumento de casos graves

O avanço dos casos graves de gripe no município e o recente alerta epidemiológico provocado pela confirmação de febre amarela em macaco encontrado na divisa com Santo André levaram a Prefeitura de Mauá a promover Dia D de Vacinação neste sábado (30), mobilizando seis Unidades de Saúde Básica (UBSs) do município – Parque São Vicente, Vila Assis, Magini, Zaíra 1, Itapark e São João.

As doses serão aplicadas das 8h às 17h com foco nas vacinas contra Influenza e febre amarela.

A ação foi definida pela Secretaria Municipal de Saúde como estratégia emergencial de prevenção diante do aumento expressivo da circulação viral registrado neste ano, especialmente às vésperas do inverno, período historicamente marcado pelo crescimento das doenças respiratórias.

A ação busca aumentar a cobertura vacinal entre grupos prioritários, que segue abaixo do esperado no município – ficou abaixo do 31% antes de a gestão municipal ampliar, no último dia 19, a imunização para toda a população acima de seis meses de idade.

Dados da Vigilância Epidemiológica de Mauá apontam crescimento de 71,7% nos casos positivos de Influenza entre janeiro e abril deste ano. Foram 79 registros de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) associados à doença em 2026, contra 46 no mesmo período de 2025.

Além da elevação dos casos, Mauá registrou um óbito relacionado à Influenza neste ano e investiga outra morte suspeita, ambos envolvendo crianças.

O caso confirmado ocorreu em abril e vitimou uma criança de 10 anos, sem comorbidades relatadas. O exame identificou Influenza B.

A paciente havia recebido a última dose da vacina em abril de 2025, reforçando a importância da imunização anual, já que a composição da vacina é atualizada todos os anos conforme a circulação dos vírus predominantes no mundo, seguindo recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde.

“Medidas para ampliar o acesso da população aos imunizantes são medidas fundamentais neste momento. Estamos diante de cenário de aumento importante dos casos respiratórios e, ao mesmo tempo, de alerta regional para febre amarela. Nosso objetivo é facilitar o acesso às vacinas, proteger vidas, reduzir internações e evitar complicações graves”, afirma Eliene de Paula Pinto, secretária municipal de Saúde.

Segundo o Ministério da Saúde, a vacina contra a Influenza é produzida com vírus inativados, não causa gripe e reduz significativamente o risco de complicações, hospitalizações e mortes, especialmente entre crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas.

A coordenadora de Vigilâncias em Saúde de Mauá, Fabiana Marinho de Macedo Vieira, destaca que a combinação entre a chegada do período mais frio e a circulação simultânea de diferentes vírus exige atenção redobrada da população.

“O outono e o inverno favorecem historicamente a circulação dos vírus respiratórios, especialmente da Influenza. A vacinação continua sendo a forma mais eficaz de prevenção contra complicações, hospitalizações e mortes. Além disso, a confirmação da circulação do vírus da febre amarela em primata não humano próximo ao município acende importante sinal de alerta para reforçarmos a imunização preventiva”, explica.

O alerta relacionado à febre amarela foi emitido após a confirmação laboratorial da doença em um sagui-de-tufos-brancos (Callithrix jacchus) encontrado na região do Parque Gerassi, em Santo André, próximo à divisa com Mauá e a áreas de fragmentos de Mata Atlântica que integram o corredor ecológico do município.

Assim que foi oficialmente notificada sobre o caso, na sexta-feira passada, a Coordenadoria de Vigilâncias em Saúde de Mauá passou a intensificar ações preventivas e de monitoramento epidemiológico, especialmente em bairros próximos às áreas de mata, como Parque São Vicente, Vila Carlina, Guapituba, Jardim Primavera, Vila Assis, Jardim Mauá, Jardim Santista e Feital.

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A febre amarela é uma doença infecciosa febril aguda transmitida pela picada de mosquitos infectados e pode evoluir rapidamente para formas graves e fatais. No ciclo silvestre, a transmissão ocorre principalmente por mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes. Já no ciclo urbano, o vetor é o Aedes aegypti, também responsável pela dengue, chikungunya e zika.

A cobertura vacinal contra a febre amarela preocupa o município. O índice caiu de 60% para 37% neste ano, reflexo do vencimento da proteção de 8 anos conferida pelas doses fracionadas aplicadas durante campanhas emergenciais realizadas em 2018.

“A vacinação é essencial para evitar o avanço dessas doenças. Estamos organizando grande mobilização para ampliar a proteção da população, principalmente nas regiões mais vulneráveis e próximas às áreas de mata. É importante que as pessoas aproveitem o Dia D para atualizar a caderneta vacinal e garantir a proteção de toda a família”, ressalta Amanda Batista de Siqueira Santos, coordenadora da Atenção Primária à Saúde de Mauá.

A Secretaria Municipal de Saúde reforça que os macacos não transmitem febre amarela aos seres humanos e desempenham papel fundamental no monitoramento da circulação viral, funcionando como sentinelas naturais para identificação precoce da doença.

Além da vacinação, a Prefeitura orienta a população a manter medidas preventivas, como higienizar frequentemente as mãos, cobrir nariz e boca ao tossir ou espirrar, evitar ambientes fechados e eliminar recipientes com água parada, reduzindo a proliferação de mosquitos transmissores.

Para receber as vacinas, basta comparecer a qualquer UBS do município com documento com foto e, se possível, carteirinha de vacinação. A imunização contra gripe estará disponível para toda a população acima de seis meses de idade. Já a vacina contra febre amarela segue as recomendações do Ministério da Saúde: duas doses para crianças menores de cinco anos e dose única para pessoas a partir de cinco anos – idosos devem procurar orientação médica antes de receber o imunizante. Pessoas vacinadas com dose fracionada em 2018 devem procurar uma UBS para receber a dose padrão, que garante imunidade vitalícia.

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