A Secretaria de Saúde de Mauá emitiu alerta à população sobre a importância da vacinação contra a febre amarela após a confirmação da circulação do vírus em um primata não humano encontrado na região de divisa entre Santo André e Mauá, próxima a áreas de fragmentos de Mata Atlântica.
A orientação vale para toda a cidade, especialmente para moradores dos bairros Parque São Vicente, Vila Carlina, Guapituba, Jardim Primavera, Vila Assis, Jardim Mauá, Jardim Santista e Feital, regiões que integram o Corredor Ecológico do município.
O caso envolve um sagui-de-tufos-brancos (Callithrix jacchus), recolhido ainda vivo pelo Departamento de Bem-Estar Animal de Santo André em uma residência no Parque Gerassi, no início deste mês.
O animal morreu e foi submetido à necropsia pela Gerência de Controle de Zoonoses de Santo André. Exames laboratoriais realizados conforme protocolos do Ministério da Saúde confirmaram resultado positivo para febre amarela.
A Vigilância em Saúde de Mauá foi oficialmente notificada sobre o caso na sexta-feira (22) e, desde então, passou a intensificar ações preventivas e de monitoramento epidemiológico.
Nesta segunda-feira (25), a Coordenadoria de Vigilâncias em Saúde de Mauá divulgou nota técnica às redes pública e privada do município orientando profissionais de saúde a redobrarem a atenção para pacientes com sintomas compatíveis com febre amarela, como febre, dor de cabeça, dores musculares, tontura, calafrios, cansaço extremo e mal-estar.
Em casos graves, a doença pode causar icterícia (pele e olhos amarelados), náuseas, vômitos, hemorragias e comprometimento de órgãos, podendo levar à morte.
Nesta terça-feira (26), equipes de diferentes setores da Saúde se reuniram para definir estratégias integradas de enfrentamento à doença, incluindo ampliação de campanhas de vacinação, ações de controle de vetores por meio de Agentes de Combate às Endemias (ACEs) e Agentes Comunitários de Saúde (ACSs), monitoramento ambiental e reforço das orientações à população.
Segundo o Ministério da Saúde, a febre amarela é uma doença infecciosa febril aguda, transmitida pela picada de mosquitos infectados e que pode evoluir rapidamente para formas graves e potencialmente fatais.
No ciclo silvestre, a transmissão ocorre principalmente por mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes. Já no ciclo urbano, o vetor é o Aedes aegypti, também responsável por doenças como dengue, chikungunya e zika.
Eliene de Paula Pinto, secretária municipal de Saúde, destaca que a vacinação segue como a principal forma de prevenção.
“A febre amarela é uma doença grave, mas que pode ser evitada com vacina. Nosso objetivo é ampliar a conscientização da população e garantir que todas as pessoas estejam devidamente imunizadas”, afirma.
A coordenadora de Vigilâncias em Saúde de Mauá, Fabiana Marinho de Macedo Vieira, reforça que o cenário exige atenção preventiva, especialmente nas áreas próximas à mata.
“A confirmação da circulação viral em primata não humano próximo ao município acende importante sinal de alerta. Estamos atuando de forma integrada para intensificar a vacinação e reforçar medidas de prevenção, sobretudo nas regiões com fragmentos de Mata Atlântica”, explica.
Além da imunização, a Prefeitura alerta para a necessidade de eliminação de recipientes com água parada, evitando a proliferação de mosquitos transmissores. Mesmo durante períodos mais frios, os cuidados devem ser mantidos para reduzir riscos de circulação viral.
O esquema vacinal recomendado pelo Ministério da Saúde prevê duas doses para crianças menores de 5 anos – aos nove meses e aos quatro anos de idade – e dose única para pessoas a partir dos 5 anos (idosos devem consultar o médico). A dose padrão garante imunidade vitalícia, sem necessidade de reforços periódicos como ocorria anteriormente, a cada 10 anos.
A Secretaria de Saúde reforça, porém, que pessoas imunizadas com a dose fracionada aplicada durante campanhas emergenciais realizadas em 2018 devem procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) para avaliação e possível aplicação da dose padrão.
A cobertura vacinal contra a febre amarela em Mauá registrou queda de 60% para 37% neste ano, reflexo do vencimento teórico da proteção conferida pelas doses fracionadas utilizadas durante o surto ocorrido no país naquele período, cuja eficácia era estimada em oito anos.
Diante desse cenário, a Fundação Oswaldo Cruz conduz desde o ano passado estudo para avaliar a duração da imunidade proporcionada pela dose fracionada da vacina.
O resultado da pesquisa, previsto para ser divulgado ainda este ano, busca verificar se a proteção conferida à época permanece ativa na população após o período de oito anos.
“Por isso é essencial que as pessoas imunizadas com a dose fracionada, utilizada em caráter emergencial para ampliar a cobertura vacinal naquele momento, recebam a vacina padrão até que tenhamos respostas conclusivas sobre a eficácia da proteção após oito anos. O importante é garantir que toda a população esteja protegida e em segurança”, explica a gerente da Vigilância Epidemiológica de Mauá, Kelly Cristina Del Ré.
Gerente da Unidade de Vigilância de Zoonoses de Mauá, Alessandra Cristina dos Santos ressalta que os macacos não transmitem a febre amarela aos seres humanos e desempenham papel fundamental no monitoramento da doença.
“Esses animais são vítimas da febre amarela, assim como nós. Eles funcionam como sentinelas naturais, ajudando as autoridades de saúde a identificar precocemente a circulação do vírus. Agredi-los ou matá-los é crime ambiental e prejudica diretamente as estratégias de vigilância”, enfatiza.
Ao avistar um animal silvestre, não se aproxime, não tente interagir e não ofereça alimento. Essas atitudes podem representar riscos à saúde, além de alterar o comportamento natural da fauna.
O contato com pessoas facilita a transmissão de doenças, como a raiva, aumenta o risco de acidentes e compromete o equilíbrio ambiental. A alimentação inadequada também pode prejudicar a saúde dos animais e interferir nos hábitos naturais deles.
Caso encontre um macaco morto ou com comportamento anormal – como dificuldade de locomoção, ausência de reação à presença humana, isolamento do grupo ou sinais aparentes de doença –, a orientação é não tocar no animal e comunicar imediatamente as autoridades responsáveis.
Em casos de animais mortos, o contato deve ser feito com a Unidade de Vigilância de Zoonoses pelo telefone (11) 4512-7499. Para animais vivos, a população deve acionar a Secretaria do Meio Ambiente pelo número (11) 4512-7500, ramais 1793 e 1794. Aos fins de semana e feriados, acionar o 0800-555466 (plantão do governo estadual).






