A divulgação dos resultados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA 2025) reacende o debate sobre a qualidade da educação brasileira e evidencia desafios que vão muito além do desempenho em uma avaliação internacional.
O Brasil registrou 409 pontos em Ciências, 408 em Leitura e 377 em Matemática, permanecendo abaixo da média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) nas três áreas.
Em uma perspectiva de longo prazo, porém, o país está entre as nações que mais avançaram desde 2006: ocupa a 7ª posição em crescimento de proficiência em Leitura e Matemática e a 8ª em Ciências, considerando os países com dados comparáveis.
Em Ciências, especificamente, o resultado de 2025 ficou acima do registrado em 2018.
Para a Profa. Dra. Andrea Menarbini, coordenadora adjunta do curso de Pedagogia do Centro Universitário Fundação Santo André (FSA), os resultados devem ser compreendidos como um diagnóstico importante para identificar desafios e orientar políticas públicas e práticas capazes de melhorar a aprendizagem.
“O PISA não deve ser encarado apenas como um ranking entre países, mas como um instrumento que nos ajuda a compreender como nossos estudantes estão desenvolvendo competências essenciais para a vida, para a cidadania e para o mundo do trabalho. Os resultados mostram que existem avanços importantes, mas também evidenciam que ainda temos muito a fazer para garantir uma aprendizagem de qualidade para todos.”
O que é o PISA?
Coordenado pela OCDE e aplicado no Brasil pelo Inep, o PISA avalia estudantes de aproximadamente 15 anos em Leitura, Matemática e Ciências, buscando verificar não apenas o domínio de conteúdos, mas a capacidade de utilizar conhecimentos e habilidades para resolver problemas, interpretar informações, pensar criticamente e tomar decisões fundamentadas.
Na edição de 2025, Ciências foi a área principal de avaliação, enquanto Leitura e Matemática foram áreas secundárias.
O ciclo contou com a participação de cerca de 760 mil estudantes de 91 países e economias.
No Brasil, participaram 30.140 estudantes, distribuídos em 1.053 escolas.
Segundo a Profa. Dra. Andreia Menarbini, essa característica é fundamental para compreender o significado dos resultados.
“O PISA não mede apenas a memorização de conteúdos. Ele procura avaliar se o estudante consegue utilizar aquilo que aprendeu para enfrentar situações reais, interpretar dados, argumentar e propor soluções.”
O que os resultados revelam sobre o Brasil?
Os resultados mostram que o Brasil ainda enfrenta um grande desafio para garantir que os estudantes alcancem níveis básicos de proficiência.
No país, 48% dos estudantes atingiram pelo menos o nível 2 em Ciências, enquanto a média da OCDE foi de 74%. Em Matemática, apenas 28% alcançaram esse nível mínimo, ante 65% na média da OCDE. Em Leitura, o percentual brasileiro foi de 49%, contra 69% na média da organização.
Considerando conjuntamente as três áreas, 43,8% dos estudantes brasileiros ficaram abaixo do nível mínimo de proficiência nas três disciplinas. No outro extremo, apenas 1,8% alcançaram níveis elevados de desempenho — níveis 5 ou 6 — em pelo menos uma das três áreas.
Outro dado que chama atenção é a desigualdade educacional. Em Ciências, os estudantes brasileiros que estão entre os 25% de maior nível socioeconômico tiveram desempenho, em média, 96 pontos acima dos 25% de menor nível socioeconômico. A diferença média entre esses dois grupos nos países da OCDE foi de 85 pontos. Além disso, o nível socioeconômico explicou 16% da variação no desempenho em Ciências no Brasil, contra 12% na média da OCDE.
Para a professora, esses dados reforçam que garantir o acesso à escola é apenas uma parte do desafio.
“Os resultados revelam que ainda convivemos com profundas desigualdades de aprendizagem. Garantir o acesso à escola é fundamental, mas precisamos assegurar que todos os estudantes tenham oportunidades reais de aprender, independentemente de sua condição social e de permanecer estudando com qualidade.”
Quais são os principais desafios?
Na avaliação de Andrea Menarbini, melhorar a educação brasileira exige ações contínuas, articuladas e de longo prazo, envolvendo políticas públicas, escolas, professores, universidades, famílias e a sociedade.
Entre as prioridades, estão: fortalecimento da alfabetização na idade certa; melhoria da aprendizagem nas diferentes áreas; valorização profissional e formação continuada dos professores; ampliação do uso pedagógico das tecnologias; desenvolvimento de competências socioemocionais; redução das desigualdades educacionais; fortalecimento da gestão escolar.
Mais do que ampliar o acesso aos conteúdos, a escola precisa preparar os estudantes para mobilizar conhecimentos diante de situações novas e desafios concretos.
“A educação precisa formar estudantes capazes de pensar criticamente, resolver problemas, trabalhar em equipe e aprender continuamente. Essas competências são cada vez mais importantes para a sociedade e para o mundo do trabalho.”
Tecnologia e Inteligência Artificial como aliadas da aprendizagem
A crescente presença da Inteligência Artificial (IA) no cotidiano dos estudantes também traz novos desafios e oportunidades para a educação.
Os dados do PISA 2025 mostram que 48% dos estudantes brasileiros relataram utilizar chatbots de Inteligência Artificial pelo menos uma vez por semana para ajudá-los a aprender, percentual ligeiramente superior à média da OCDE, de 46%.
No Brasil, 40% também relataram utilizar IA para realizar pesquisas preliminares sobre um novo tema, contra 31% na média da OCDE.
Para a especialista, o avanço dessas tecnologias representa uma oportunidade, desde que acompanhado de orientação pedagógica e uso responsável.
“A Inteligência Artificial pode enriquecer o processo de aprendizagem, mas não substitui o professor. O papel da escola é ensinar o estudante a utilizar essas ferramentas de maneira crítica, responsável e produtiva.”
Nesse cenário, a tecnologia deve ser utilizada como recurso pedagógico, integrada aos objetivos de aprendizagem e acompanhada pela mediação do professor.
O papel da universidade na formação de professores
As universidades desempenham papel estratégico na melhoria da educação básica, especialmente por meio da formação inicial e continuada dos professores.
Para Andrea Menarbini, a qualidade da formação docente está diretamente relacionada à capacidade de criar experiências de aprendizagem mais significativas.
“Investir na formação de professores significa investir diretamente na aprendizagem dos estudantes. Educadores preparados conseguem desenvolver metodologias mais participativas, estimular o protagonismo dos alunos e construir ambientes de aprendizagem mais significativos e eficientes.”
Nesse sentido, a formação universitária precisa acompanhar as transformações da sociedade e preparar os futuros educadores para lidar com novos desafios pedagógicos, tecnológicos e sociais.
Um compromisso de longo prazo
Para Andrea Menarbini, os resultados do PISA devem ser utilizados como ponto de partida para o aprimoramento das políticas educacionais, e não apenas como uma classificação do desempenho brasileiro no cenário internacional.
Os dados mostram que o Brasil tem apresentado avanços importantes quando observado em uma perspectiva histórica, mas também revelam a persistência de desigualdades e de baixos níveis de proficiência.
O desafio, portanto, é transformar os avanços já conquistados em uma trajetória consistente de melhoria da aprendizagem para todos.
“Melhorar a educação não é uma tarefa apenas de curto prazo. Exige continuidade, planejamento e compromisso ético e político coletivo. Cada avanço na aprendizagem representa mais oportunidades para os estudantes, maior desenvolvimento social e uma sociedade mais justa. O PISA contribui com dados; cabe a todos nós construir o caminho para onde queremos chegar em nossa sociedade.”
Informações institucionais
O Centro Universitário Fundação Santo André, Fundação Pública Municipal, tem mais de 70 anos, 100.000 alunos formados e conta com mais de 100 laboratórios, tem NOTA MÁXIMA 5 institucional junto ao MEC e conta com cursos na área de Direito, Negócios, Engenharia, Arquitetura, Química, Ciência da Computação, Ciência de Dados e IA, TI, Psicologia, Biomedicina dentre outros. A Fundação Santo André conta com diversos programas de bolsa de estudos com o intuito de democratizar o ensino superior do País.
Mais informações: https://www.fsa.br/vestibular







