quarta-feira, 27 de maio

FMABC participa de estudo internacional que relaciona envelhecimento cerebral a desigualdades sociais

Um estudo internacional publicado em maio na revista científica Nature trouxe avanços importantes na compreensão do envelhecimento cerebral e sua relação com doenças neurodegenerativas.

A pesquisa contou com a participação do neurologista Renato Anghinah, professor titular do Centro Universitário FMABC e referência nacional em neurologia cognitiva e eletroencefalografia.

O trabalho utilizou registros de eletroencefalogramas (EEG) associados a modelos de inteligência artificial para identificar diferenças entre a idade cronológica das pessoas e a chamada “idade cerebral”.

Segundo os pesquisadores, essas discrepâncias podem indicar processos ligados à neurodegeneração, além de refletirem desigualdades sociais e fatores de saúde que impactam diretamente o cérebro.

O estudo analisou a atividade cerebral de 1.228 participantes de 10 países, incluindo indivíduos saudáveis, pessoas com comprometimento cognitivo leve (MCI) e pacientes com doença de Alzheimer ou demência frontotemporal.

A partir da análise das chamadas oscilações alfa do EEG (relacionadas a funções cognitivas como atenção, memória e processamento mental), os pesquisadores observaram que pacientes com doenças neurodegenerativas apresentavam envelhecimento cerebral acelerado em comparação à idade cronológica.

Outro achado considerado relevante foi a constatação de que fatores ligados à desigualdade estrutural tiveram impacto ainda maior sobre o envelhecimento cerebral do que aspectos como escolaridade, cognição e sexo.

De acordo com Renato Anghinah, os resultados reforçam a importância de analisar o envelhecimento cerebral também sob a perspectiva social.

“O estudo conclui que, por meio do EEG, conseguimos demonstrar que o envelhecimento cerebral pode ser diferente dependendo dos níveis de vulnerabilidade social, tanto do ponto de vista econômico quanto educacional e nutricional. Isso é importante, porque permite identificar esse padrão com um equipamento de baixo custo”, destaca.

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O pesquisador também ressalta o potencial das descobertas para a formulação de políticas públicas. “É um achado relevante por apontar caminhos para ações que os governos podem adotar em países com condições econômicas adversas”, afirma.

Segundo o neurologista, investir em estudos dessa natureza é fundamental para compreender como as desigualdades sociais impactam diretamente a saúde cerebral da população.

“É importante investir em pesquisas dessa natureza para quantificar o impacto dessas diferenças sociais no envelhecimento cerebral e pensar em soluções para reduzir esse impacto”, conclui.

Os autores apontam que a utilização do EEG como ferramenta de avaliação pode representar um caminho mais acessível e escalável para o rastreamento populacional de doenças neurodegenerativas, especialmente em regiões com poucos recursos e menor acesso a tecnologias avançadas de diagnóstico.

A pesquisa faz parte de um amplo esforço colaborativo internacional envolvendo pesquisadores da América Latina, Europa e Estados Unidos.

“Essa colaboração entre os países vem de longa data. Trata-se de um consórcio chamado Eurolat, composto por mais de 15 países. Tenho a honra de representar o Brasil e o Centro Universitário FMABC”, explica Anghinah.

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