quinta-feira, 26 de março

FMABC conta com ambulatório especializado em tratamento da Epilepsia

Celebrado em 26 de março, o Dia Mundial de Conscientização sobre a Epilepsia é uma data marcada para o combate aos estigmas sobre a doença, além de valorizar o acesso ao tratamento adequado para uma condição neurológica que afeta cerca de 1% da população mundial.

Na região do ABC, o Ambulatório de Epilepsia do Centro Universitário FMABC se destaca atendendo cerca de 120 pacientes epilépticos por mês, de forma contínua e humanizada.

De acordo com o neurologista Rudá Alessi, que atua no Ambulatório, a epilepsia é caracterizada por uma predisposição do cérebro a gerar crises epilépticas espontâneas, resultado de uma atividade elétrica anormal.

“A forma como a crise se manifesta depende da região do cérebro envolvida, podendo variar desde movimentos involuntários até alterações sensoriais, como alucinações visuais”, explica.

As causas da epilepsia são diversas. Em alguns casos há predisposição genética, mas outros a condição pode surgir após lesões cerebrais, como traumatismos cranianos, AVCs ou tumores.

Ainda assim, há situações em que não é possível identificar uma causa específica.

A doença pode se manifestar em qualquer idade, embora seja mais comum em crianças pequenas e idosos, com fatores distintos em cada grupo.

Outro ponto de atenção são os gatilhos que podem desencadear crises epilépticas.

Entre os mais comuns estão a privação de sono, o estresse e a interrupção do tratamento.

Em alguns pacientes, estímulos visuais, como luzes piscantes, também podem provocar episódios.

Diante de uma crise, a orientação é manter a calma e priorizar a segurança da pessoa.

“É importante posicionar o indivíduo de lado, proteger a cabeça e afastar objetos que possam causar ferimentos. Não se deve tentar conter os movimentos à força nem colocar objetos na boca”, orienta o neurologista.

A busca por atendimento médico é essencial, especialmente se a crise durar mais de cinco minutos, se houver repetição sem recuperação ou se for o primeiro episódio.

O tratamento da epilepsia é, na maioria dos casos, feito com medicamentos, capazes de controlar as crises em grande parte dos pacientes.

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No entanto, cerca de um terço pode não responder adequadamente às medicações e, nesses casos, outras abordagens podem ser indicadas, como cirurgia, neuromodulação e dieta cetogênica.

“É importante destacar que o tratamento é contínuo e visa o controle das crises, não necessariamente a cura”, ressalta Alessi.

Nos últimos anos, houve avanços significativos no cuidado à epilepsia, especialmente no entendimento de suas causas genéticas e no desenvolvimento de novos fármacos.

Técnicas como a estimulação do nervo vago e a estimulação cerebral profunda também têm ampliado as possibilidades terapêuticas.

Apesar disso, a epilepsia ainda é cercada por mitos. Um dos mais comuns é a crença de que a pessoa pode “engolir a língua” durante uma crise, o que não é verdade e pode levar a condutas inadequadas.

Também é equivocado afirmar que pessoas com epilepsia não podem estudar ou trabalhar.

“Muitos pacientes levam uma vida completamente normal quando estão em tratamento adequado”, afirma o médico.

Nesse contexto, a informação é uma aliada fundamental. “O conhecimento é a principal ferramenta para reduzir o estigma em torno da epilepsia”, destaca o neurologista.

No ambulatório do Centro Universitário FMABC, o acompanhamento é individualizado e varia conforme a gravidade e o controle das crises, podendo ocorrer desde consultas semestrais até retornos semanais em situações mais complexas.

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