Colorido, reluzente e presença garantida nos blocos e desfiles, o glitter virou símbolo do Carnaval moderno.
Mas por trás do brilho que encanta foliões, existe um problema silencioso que preocupa cientistas e ambientalistas: o glitter tradicional é um tipo de microplástico altamente poluente, capazes de causar danos duradouros aos ecossistemas aquáticos.
O alerta é feito pela Profa. Dra. Amanda Alves Gomes, bióloga, doutora em Oceanografia pela Universidade de São Paulo e coordenadora do Escritório de Sustentabilidade do Centro Universitário Fundação Santo André (FSA).
“O glitter comum é feito de plástico, alumínio e corantes sintéticos. Por ser extremamente pequeno, ele passa pelos sistemas de filtragem de esgoto e vai direto para rios, represas e oceanos”, explica a professora.
Microplásticos invisíveis, impactos reais
Segundo a especialista, o glitter se enquadra na categoria de microplásticos primários – partículas produzidas já em tamanho microscópico, difíceis de serem recolhidas após o descarte.
“Essas partículas são ingeridas por peixes, crustáceos e outros organismos aquáticos, podendo entrar na cadeia alimentar e chegar até o ser humano”, afirma Amanda Gomes, que atua nas áreas de biologia marinha, conservação animal e divulgação científica.
Além do impacto nos animais, os microplásticos podem carregar contaminantes químicos e metais pesados, ampliando seus efeitos nocivos no ambiente.
Carnaval sustentável: brilho consciente é possível
Apesar do problema, a professora reforça que não é preciso abrir mão da criatividade para proteger o meio ambiente. Existem hoje alternativas ecológicas ao glitter tradicional, que vêm ganhando espaço em festas e eventos.
Entre as principais opções estão:
- Glitter biodegradável – produzido com celulose vegetal ou minerais naturais, se decompõe rapidamente no ambiente.
- Pós naturais coloridos – feitos com amido de milho, mica natural ou pigmentos vegetais.
- Tintas faciais à base de água – substituem o glitter em maquiagens artísticas sem liberar microplásticos.
A especialista alerta para a importância da leitura atenta da composição do glitter biodegradável.
Alguns produtos comercializados como glitter comestível contém microplásticos em sua composição, e não são verdadeiramente biodegradáveis.
“Pequenas escolhas fazem muita diferença. Quando milhares de pessoas deixam de usar glitter plástico, o impacto ambiental é enorme”, destaca a pesquisadora.
Educação ambiental como ferramenta de transformação
À frente do Escritório de Sustentabilidade da Fundação Santo André, a professora Amanda Gomes desenvolve ações de conscientização, projetos educativos e campanhas voltadas à preservação ambiental e ao consumo responsável.
“A sustentabilidade começa nas decisões do dia a dia. O Carnaval é uma festa linda, culturalmente rica, e pode — e deve — ser celebrada de forma mais consciente”, afirma.
Brilhar sem poluir
O recado dos especialistas é claro: o brilho do Carnaval não precisa custar caro ao planeta. Ao optar por alternativas sustentáveis, foliões ajudam a proteger rios, mares e a biodiversidade, sem perder a alegria da festa.
“A verdadeira beleza do Carnaval está na criatividade, na diversidade e na responsabilidade com o futuro”, conclui a professora.
Informações institucionais
O Centro Universitário Fundação Santo André, Fundação Pública Municipal, tem mais de 70 anos, 100.000 alunos formados e conta com mais de 100 laboratórios.
A instituição tem NOTA MÁXIMA 5 institucional junto ao MEC e conta com cursos na área de Direito, Negócios, Engenharia, Arquitetura, Química, Ciência da Computação, Ciência de Dados e IA, TI, Psicologia, Biomedicina dentre outros.
A Fundação Santo André conta com diversos programas de bolsa de estudos com o intuito de democratizar o ensino superior do País.
Mais informações: https://www.fsa.br/vestibular







