sexta-feira, 2 de outubro

Dia Mundial da Urticária: diagnóstico na FMABC transformou trajetória de paciente

Manchas pelo corpo, coceira intensa e episódios de inchaço nos olhos e nos lábios começaram a fazer parte da vida de Valéria Rezende quando ela tinha apenas 11 anos.

A partir daí ela iniciaria uma jornada de quase uma década para descobrir a causa dos sintomas e encontrar o tratamento adequado para finalmente receber o diagnóstico do que estava a afligindo: a urticária.

A história chama a atenção para a importância da informação e do atendimento especializado neste 1º de outubro, o Dia Mundial desta doença.

A data é uma iniciativa internacional voltada à conscientização sobre a doença e seus impactos na vida dos pacientes.

Em 2026, a campanha tem como tema “Retome o Controle – Da Coceira à Compreensão” e destaca, entre outros aspectos, como coceira persistente, inchaços e crises imprevisíveis podem afetar o sono, as atividades cotidianas e o bem-estar emocional.

No caso de Valéria, os sintomas foram inicialmente associados a quadros alérgicos. Vieram consultas com diferentes profissionais, tratamentos e, principalmente, dúvidas sobre o que estava acontecendo.

“Foi um tempo de muita dúvida e incerteza. Tentei diversos médicos e protocolos. Foi confundido com alergia por muitos anos. Foram 10 anos até chegar ao diagnóstico correto. Mais de 3 mil dias. Isso me marcou muito”, conta.

A longa procura terminou quando Valéria chegou ao serviço especializado do Centro Universitário FMABC, onde recebeu o diagnóstico correto e iniciou o acompanhamento da doença.

Segundo ela, o atendimento representou uma mudança significativa em sua rotina.

“Na FMABC eu encontrei o tratamento, o manejo correto da doença e recuperei minha qualidade de vida. Tudo foi bem esclarecido e encaminhado com competência e muita generosidade durante todo o percurso”, afirma.

Para compartilhar sua jornada rumo ao diagnóstico, Valéria criou a página “3000 dias” nas redes sociais, onde relata sua experiência e informa sua situação atual.

“Tudo que eu achava sobre urticária era bem complicado. Eu tinha vontade de explicar para mim mesma o que estava entendendo sobre minha condição. Com isso, acabei conhecendo ‘amigos de pele’ e também construindo uma comunidade em torno de uma causa”, relata.

Para Valéria, um dos aspectos mais difíceis da urticária é justamente não saber quando uma nova crise pode aparecer.

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“A principal dificuldade é a imprevisibilidade dos sintomas, que leva a gente a deixar de fazer o que gostaria e a se sentir desmotivado em planejar o futuro. A impressão que dá é que a doença nos interrompe.”

No momento ela mantém a doença controlada com tratamento e sem sintomas.

A dermatologista Roberta Criado, responsável pelo diagnóstico de Valéria na FMABC, explica que entre os principais sinais da urticária estão coceira, aparecimento de lesões elevadas na pele e, em alguns casos, angioedema, caracterizado por inchaços que podem atingir regiões como olhos e lábios.

Quando não está controlada, a doença pode comprometer de maneira importante a qualidade de vida.

“A pessoa não consegue trabalhar, estudar ou dormir”, explica a médica.

A dificuldade para chegar ao atendimento especializado ainda é um problema.

Segundo Roberta Criado, um estudo realizado no Centro Universitário FMABC identificou que pacientes podem levar, em média, de quatro a cinco anos para chegar a um serviço especializado e receber tratamento para urticária.

Há situações ainda mais prolongadas, como a vivenciada por Valéria.

Um dos desafios é justamente a confusão dos sintomas com alergias, o que pode dificultar o diagnóstico correto.

De acordo com Roberta, o tratamento é definido individualmente.

Em geral, são utilizados inicialmente medicamentos anti-histamínicos. Quando não há resposta satisfatória, outras alternativas podem ser consideradas, incluindo medicamentos biológicos.

A dermatologista também chama a atenção para interpretações equivocadas sobre a doença.

“As pessoas começam a achar que é emocional ou relacionada ao que o paciente come. Isso traz mais angústia e, no final das contas, piora ainda mais a autoestima da pessoa com urticária”, explica.

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