Nas últimas semanas, o ensino ao cuidado e respeito com animais tem tomado boa parte dos noticiários.
A Educação socioemocional ganhou contornos fundamentais na rotina diária da criança e uma ferramenta para empatia e convívio social após a morte do cachorro Orelha, em Santa Catarina.
A companhia de animais, no entanto, começa desde cedo na Educação Infantil do Colégio ARBOS, em São Bernardo.
As turmas participam de uma proposta pedagógica que tem como centro a Margarida, uma tartaruga adotada pela escola e incorporada ao dia a dia das crianças como mascote da unidade.
A presença da Margarida integra uma sequência didática que aproxima os alunos dos elementos da natureza e introduz, de forma prática, a ideia de responsabilidade compartilhada.
Desde a adoção do animal, as crianças com idades entre 2 e 4 acompanham sua rotina, cuidam da alimentação, observam o ambiente onde ela vive e verificam condições como a limpeza da água e do habitat.
O local onde a tartaruga vive também foi construído com a participação dos alunos. Inicialmente, a escola destinou uma área de terra para receber Margarida.
A partir desse ponto, as crianças participaram do planejamento do espaço, solicitaram apoio da equipe da escola e acompanharam as etapas de construção.
Ao longo dos anos, melhorias são feitas com o envolvimento das turmas, que assumem a manutenção contínua do local.
Segundo Thais Ramos Teixeira, coordenadora da Educação Infantil que estrutura o projeto, a experiência amplia a compreensão das crianças sobre responsabilidade e cuidado com o outro.
“Os pequenos entendem que o bem-estar da Margarida depende deles. Aprendem, na prática, sobre constância e compromisso. O cuidado é realizado pelas próprias crianças, com acompanhamento e orientação dos professores”, afirma.
A rotina inclui uma tabela organizada pelas salas, que orienta tarefas como alimentação e limpeza.
O acompanhamento favorece a organização e fortalece o senso de compromisso coletivo.
Ao longo do ano, o espaço se transforma conforme o envolvimento das turmas em cada etapa do processo.
A experiência também se articula às aulas de educação socioemocional e às propostas de linguagem, incluindo atividades ligadas ao ensino de inglês.
O contato com a mascote se torna ponto de partida para conversas sobre empatia, cooperação, respeito e atenção às necessidades do outro.
“O aluno aprende que cuidar exige presença e continuidade. Esse entendimento se reflete na forma como se relaciona com os colegas, com os adultos e com o ambiente ao redor”, explica a coordenadora. “São aprendizagens construídas no cotidiano e que permanecem.”
O contato com a natureza integra a proposta pedagógica desde os primeiros anos.
Além da mascote, as crianças participam de atividades ligadas à horta e outros elementos naturais, ampliando o repertório de experiências e a relação com o espaço escolar.
”Ao incorporar o cuidado com um ser vivo à rotina da Educação Infantil, a iniciativa amplia as possibilidades de aprendizagem por meio de experiências reais, inseridas de forma contínua no dia a dia das crianças”, finaliza Thais.







