Com a alta dos juros e a busca por aplicações consideradas seguras, muitos investidores passaram a direcionar recursos para produtos que prometem proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). No entanto, segundo especialistas, parte do mercado tem explorado esse mecanismo de segurança de forma inadequada, criando uma falsa sensação de proteção e expondo o investidor a riscos que nem sempre são claramente informados.
O alerta é do Prof. Dr. Luiz Antônio de Oliveira Dantas, responsável pelos MBAs em Finanças Digitais e em Banking do Centro Universitário Fundação Santo André (FSA), que chama atenção para a chamada “armadilha do FGC” — prática em que alguns fundos e produtos estruturados utilizam excessivamente o argumento da garantia para atrair investidores.
“O FGC é um importante mecanismo de proteção do sistema financeiro, mas ele não foi criado para ser usado como estratégia de marketing. Muitos investidores acreditam que todo produto ligado a bancos está automaticamente protegido, o que não é verdade”, explica o professor.
O que é — e o que não é — protegido pelo FGC
O FGC garante até R$ 250 mil por CPF e por instituição financeira em casos específicos, como depósitos em CDB, LCI, LCA, poupança e contas correntes. No entanto, fundos de investimento não são cobertos pelo FGC.
“Quando um fundo compra títulos de instituições menores e usa isso para sugerir uma proteção indireta, o investidor pode ser levado ao erro. A garantia vale para o aplicador direto no título, não necessariamente para quem investe via fundo”, esclarece Dantas.
Segundo ele, essa confusão é uma das principais fontes de risco para investidores iniciantes.
Rendimentos altos exigem atenção redobrada
Outro ponto de alerta são produtos que oferecem rentabilidades muito acima da média, mas destacam o FGC como principal argumento de segurança.
“Quando o retorno prometido é alto demais e a principal justificativa de segurança é o FGC, é sinal de que algo precisa ser analisado com cuidado. Não existe investimento de alto retorno sem risco”, afirma o especialista.
Em muitos casos, esses fundos concentram recursos em poucos emissores ou em instituições com maior risco de crédito, apostando justamente no limite da garantia.
Como o investidor pode se proteger
O professor do Centro Universitário Fundação Santo André orienta que alguns cuidados simples podem evitar prejuízos:
“O investidor precisa entender que o FGC é uma rede de proteção, não um escudo absoluto. Educação financeira é o melhor instrumento de defesa”, reforça.
Um mercado mais sofisticado exige mais conhecimento
Com a expansão das fintechs, dos bancos digitais e dos novos produtos financeiros, o mercado se tornou mais acessível — e também mais complexo.
“Hoje, investir exige muito mais do que comparar taxas. É preciso compreender risco, estrutura do produto e quem está por trás da operação”, observa Dantas.
Formação para um novo investidor
À frente dos MBAs em Finanças Digitais e Banking da Fundação Santo André, o professor destaca que preparar profissionais e investidores para esse novo cenário é uma prioridade.
“Nos nossos cursos, trabalhamos exatamente esses temas: gestão de risco, regulação, produtos financeiros e educação do investidor. O objetivo é formar profissionais capazes de proteger o patrimônio das pessoas e fortalecer o sistema financeiro”, conclui.






