Nem mesmo o barulho constante das máquinas e equipamentos que hoje moldam as obras do BRT-ABC é capaz de diminuir a expectativa e a percepção positiva dos moradores do Conjunto Habitacional da Cohab, em Cidade Heliópolis, na capital paulista.
Apesar dos transtornos inevitáveis de uma obra realizada tão próxima aos apartamentos — um complexo com 72 unidades e cerca de 5 mil moradores —, o sentimento predominante é de esperança.
Para a comunidade, os benefícios do novo corredor de ônibus elétricos, que ligará o ABC ao metrô de São Paulo, superam em muito os incômodos do presente.
Esse sentimento é compartilhado pela psicóloga Leia Moraes de Oliveira, presidente da Associação de Moradores União Positiva, entidade que representa o conjunto habitacional.
Moradora do local há 30 anos, Leia vê no BRT-ABC muito mais do que uma nova opção de transporte.
Para ela, o projeto simboliza mais mobilidade, mais acesso a oportunidades e uma melhora concreta na qualidade de vida de toda a região.
“É uma transformação que a gente espera há décadas”, resume. Leia ressalta que o fato de os ônibus do BRT-ABC pararem no mesmo nível da plataforma vai ajudar muito idosos e quem tem mobilidade reduzida.
A chegada do BRT também desperta orgulho. Edna Maria Miranda, subsíndica de um dos prédios da Cohab Cidade Nova Heliópolis — por onde o corredor passará bem perto —, confessa se sentir “vaidosa” com o novo sistema.
Para ela, o BRT-ABC representa valorização: do bairro, da história da comunidade e, principalmente, das pessoas que vivem ali.
“A gente estava esquecido. Agora, é como se finalmente estivéssemos sendo vistos”, afirma.
Edna também destaca a valorização dos imóveis locais com a chegada de um bom serviço de transporte público tão próximo ao conjunto.
Para Daniel Cardoso Alfonso, secretário da Associação de Moradores União Positiva, o BRT-ABC significa algo ainda mais profundo: o direito à cidade.
Ele destaca que o novo corredor vai garantir um acesso rápido, digno e eficiente a São Paulo, algo que nunca existiu de forma adequada na região.
“Estatisticamente, a maioria dos moradores do conjunto é de pessoas idosas”, lembrou.
Além disso, Daniel ressalta que a integração com outros modais facilitará o acesso a serviços públicos, trabalho, saúde e lazer.
Sua maior expectativa, porém, é pessoal: que sua mãe, idosa, mas ativa e independente, possa utilizar o BRT com conforto, segurança e confiança — mantendo sua rotina com autonomia e dignidade.






